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Professores trabalham de luto na escola de menino morto no Alemão

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CAIO LIMA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - "As crianças estão muito abaladas. Hoje o clima não está nada bom na escola." Com essas duas frases, Rita Nogueira, funcionária do Ciep Maestro Francisco Mignone definiu o ambiente na manhã desta segunda (6) na unidade municipal de ensino onde estudava Eduardo de Jesus Ferreira, morto aos 10 anos na última quinta-feira (2) no Complexo do Alemão.
Nesta segunda (6) foi o primeiro dia de aula na escola após a morte de Eduardo, que estava no 5º ano do ensino fundamental. O Ciep, que funciona em tempo integral, fica localizado em Olaria, zona norte da cidade.
Ao ser abordada pela reportagem, a funcionária da portaria, além de ressaltar o clima de tristeza, fez questão de lembrar que "não tinha nada do que reclamar" do garoto. "Era um carinhoso, um brincalhão, sempre com um sorriso no rosto", afirmou Rita.
Antes do início das aulas, os alunos da unidade de ensino, alguns pais e todos os professores e funcionários prestaram uma homenagem ao garoto. Depois do hino nacional e de uma oração, os presentes fizeram um minuto de silêncio. No minuto seguinte, bateram palmas.
Os funcionários da escola estavam todos vestidos de preto.
Alunos da mesma turma de Eduardo se emocionaram durante o minuto de silêncio e choraram.
A professora da turma, Bianca Dantas Rodrigues, organizou os alunos para fazerem cartazes e desenhos com mensagens ao colega morto, que serão colocados nas paredes da unidade de ensino nos próximos dias.
Segundo Bianca, Eduardo era um dos melhores alunos da turma. "Os melhores alunos são escolhidos para ter aulas de música, e ele era um deles. Tocava flauta. Além de ter notas boas, ele era muito dado às pessoas, sempre abraçava todos. Ele não era mais um, era diferente", afirmou a professora, uma das primeiras pessoas a saber da morte de Eduardo, ao receber um telefonema da própria mãe do garoto, Terezinha Maria de Jesus.
"Foi muito ruim ouvir a mãe dele gritando no telefone desesperada. Ela falava: 'levaram meu menino, levaram meu menino', eu perguntei 'que menino?', e ela respondeu 'o meu Eduardo'. Não aguentei e comecei a chorar desesperada", relembrou
Nesse primeiro dia de aula, os alunos da turma colocaram a carteira onde sentava Eduardo de Jesus num canto da sala. Nela, estavam uma mochila usada pelo garoto, uma foto dele com a mãe e um Papai Noel, além de uma caixa onde os colegas depositavam mensagens de saudades. Na lousa, também havia mensagens lamentando a morte.
"Tudo que a gente pedia, ele fazia e ajudava. Chorei muito porque o Eduardo era muito legal e não tinha como não chorar", afirmou uma das colegas de turma, que lembrou que o garoto "sempre fazia a lição de casa".
Outra colega de sala de Eduardo afirmou que "um pedacinho dele ficará em nossos corações".

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