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Rebeldes do Iêmen avançam sobre Áden, que abriga porto estratégico

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os rebeldes xiitas huthis assumiram o controle neste domingo (5) da sede do governo em Áden, segunda maior cidade do Iêmen, país do Oriente Médio que enfrenta uma guerra civil.
Áden abriga o principal porto do país, que fica próximo à entrada para o mar Vermelho, rota por onde passam até 4 milhões de barris de petróleo por dia. O porto está fechado desde o fim de março devido ao conflito.
Os huthis e seus aliados, militares leais ao ex-presidente Ali Abdullah Saleh, avançaram durante a noite e tomaram "a sede da administração provincial, incluindo o escritório do governador", relatou à uma autoridade local.
Em seu avanço, eles atacaram áreas residenciais, incendiaram e danificaram casas, de acordo com testemunhas, que relataram mortos e feridos e a fuga de dezenas de famílias.
Na manhã deste domingo, os rebeldes se encontravam perto do porto, defendido pelos "comitês populares" leais ao presidente Abd Rabo Hadi, exilado na Arábia Saudita. O local era defendido por militantes leais ao presidente Hadi, posicionados com armas em cima no topo de prédios da região.
Desde 26 de março, uma coalizão liderada pela Arábia Saudita realiza ataques aéreos para impedir o avanço dos rebeldes, apoiados pelo Irã.
Os militantes querem assumir Áden, depois de tomarem a capital Sanaa e regiões do norte e do sul do país. O presidente Hadi, que havia se estabelecido em Áden em fevereiro, fugiu antes da chegada dos huthis.
Enquanto isso, a coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita realizou vários bombardeios aéreos contra posições rebeldes durante a noite, ao redor da capital Sanaa e de Saada, bastião dos militantes no norte do Iêmen.
LUTA REGIONAL
Em Áden, os combates fizeram 185 mortos e 1.282 feridos, sendo 75% de civis, segundo o chefe do Departamento de Saúde, Al Jader Lasuar.
Neste domingo, confrontos violentos também ocorreram na cidade de Loder (sul), nas mãos dos rebeldes, onde 24 pessoas morreram, incluindo 21 milicianos xiitas.
É crescente a preocupação de que o conflito iemenita se torne uma guerra por procuração entre a Arábia Saudita (sunita) e o Irã (xiita).
O presidente iraniano, Hassan Rohani, solicitou o apoio de Omã, para "evitar que a guerra se espalhe na região", em uma carta enviada na sexta-feira às autoridades do país. Omã mantém boas relações com o Irã e é a única monarquia do Golfo que não participa da coalizão liderada por Riad.
A Rússia apresentou no sábado ao Conselho de Segurança da ONU um projeto de resolução para uma pausa humanitária nos bombardeios da coalizão árabe. A Cruz Vermelha também pediu um cessar-fogo durante 24 horas para atender a população.
"Nosso pessoal médico deve ser capaz de entrar no país e ter acesso seguro às áreas mais afetadas para ajudar", declarou Robert Mardin, chefe de operações do Comitê Internacional da Cruz Vermelha para o Oriente Médio.
"Caso contrário, morrerão muitos mais", acrescentou.
Em Riad, o brigadeiro Ahmed Assiri contestou esse pedido, dizendo que a ajuda humanitária será fornecida apenas quando as condições o permitirem. "Nós não queremos abastecer as milícias", disse.

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