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Guantánamo-prisioneiros são enviados ao Uruguai

Da Redação ·
Ala de celas comuns em uma das prisões da base norte-americana de Guantánamo, em Cuba, em foto de maio de 2013 (Foto: Bob Strong/Reuters)
Ala de celas comuns em uma das prisões da base norte-americana de Guantánamo, em Cuba, em foto de maio de 2013 (Foto: Bob Strong/Reuters)

Seis homens detidos por mais de uma década na prisão militar norte-americana na Baía de Guantánamo, em Cuba, foram enviados para o Uruguai neste domingo (7), disse o Pentágono, no mais recente passo de um esforço lento da administração Obama para fechar o centro de detenção.

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Segundo a agência Associated Press, os quatro sírios, um tunisiano e um palestino serão libertados e terão status de refugiados. O acordo com o Uruguai estava sendo adiado há meses pelo Pentágono por motivos de segurança, e o grupo, levado para a América do Sul a bordo de um avião militar dos Estados Unidos, representa o maior a deixar o campo de detenção dos EUA desde 2009.

O presidente Barack Obama assumiu o cargo há quase seis anos prometendo fechar a prisão, citando seus danos à imagem dos EUA em todo o mundo. Mas ele não foi capaz de fazê-lo, em parte por causa dos obstáculos colocados pelo Congresso dos EUA.

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Todos são suspeitos de ter relações com a rede Al-Qaeda em 2002, mas nunca foram acusados formalmente. Em 2010 eles foram liberados para libertação, mas não podiam ser enviados para os países de origem por motivos de segurança - e os EUA os mantiveram até achar um país disposto a recebê-los.

Em um gesto humanitário, o presidente uruguaio, José Mujica, concordou em receber os homens em janeiro, e disse que eles receberiam ajuda para se estabelecer no país, que tem uma pequena população muçulmana. "Somos gratos ao Uruguai por essa importante ação humanitária, e ao Presidente Mujica pela sua forte liderança ao oferecer casa aos indivíduos que não podem voltar para seus países de origem", disse o enviado do Departamento de Estado americano, Clifford Sloan.

Autoridades da administração Obama, frustrados com a demora da transferência, culparam o atual Secretário de Defesa, Chuck Hagel, por retardar a aprovação da ação. Segundo a agência Associated Press, as fontes dizem que o acordo ficou na mesa de Hagel por meses, esperando sua assinatura - como manda a lei -, mas que a notificação só foi enviada pelo Pentágono ao Congresso em julho.

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Nessa época, a transferência virou um problema para o governo uruguaio por causa das eleições e as autoridades do país sul-americano decidiram esperar o pleito. Com a vitória de Tabare Vazquez, membro do partido governante, o acordo foi implantado.

Presos
Entre os reassentados está o sírio Abu Wa'el Dhiab, de 43 anos, que fez uma greve de fome em Guantánamo para protestar contra sua prisão. Ele estava no centro de uma batalha legal nas cortes americanas a respeito da alimentação forçada aos prisioneiros que se recusavam a comer. 

Os outros sírios enviados ao Uruguai são Ali Husain Shaaban, de 32 anos, Ahmed Adnan Ajuri, de 37, e Abdelahdi Faraj, de 39. Também foram libertados o palestino Mohammed Abdullah Taha Mattan, de 35 anos e o tunisiano Adel bin Muhammad El Ouerghi, de 49. A libertação diminui o número total de prisioneiros da prisão para 136 - o menor número desde o primeiro mês após a abertura da prisão, em janeiro de 2002.

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A demora nas libertações criaram uma atmosfera tensa na prisão. Uma greve de fome que começou em fevereiro de 2013 alcançou 100 prisioneiros em seu auge, incluindo Dhiab e Faraj. As restrições em mandá-los para fora do país foram amenizadas e os EUA já libertaram 19 prisioneiros neste ano. Autoridades dizem que muitos outros devem deixar o presídio até o final do ano.

Os presos devem ser enviados para países ao redor do mundo, mas a transferência deste final de semana foi o maior grupo mandado para o hemisfério ocidental.