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Crescente competição deve pautar encontro de líderes da China e EUA

Da Redação ·
Foto: Presidencia Perú
Foto: Presidencia Perú

PEQUIM, CHINA - Os líderes das duas maiores economias do mundo se reúnem nesta quarta (12) em Pequim pautados por uma série de contenciosos e crescente competição.

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Por trás dos sorrisos das fotos oficiais, o líder da China, Xi Jinping, e o presidente dos EUA, Barack Obama, discutirão divergências que incluem comércio, ciberespionagem, direitos humanos e a tensão em torno de disputas territoriais no mar do Sul da China.

Obama veio a Pequim para a cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec, na sigla em inglês), e ficou um dia a mais para o encontro com Xi.

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No encerramento da cúpula, preparada pelos chineses como um grandioso evento para projetar a ascensão do país como superpotência econômica, Pequim obteve o apoio das demais 20 economias do bloco para seu plano de acelerar a criação da Área de Livre Comércio Ásia-Pacífico (Alcap). Xi elogiou o endosso como um passo "histórico".

O comunicado final prevê a realização de um estudo para a implementação do acordo, que deverá durar dois anos. É menos do que o governo chinês queria, depois de enfrentar a resistência dos EUA.

A iniciativa de Pequim é considerada uma resposta da China à Parceria Transpacífica (TPP, na sigla em inglês), cujas negociações são lideradas pelos EUA com outros 11 países, mas sem incluir a China.

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Dando o tom de disputa do encontro entre Xi e Obama, membros da delegação americana se preocuparam em ressaltar os pontos de discórdia que serão levantados durante as conversas.

Ben Rhodes, conselheiro-adjunto de segurança nacional dos EUA, citou temas como ciberespionagem e disputas marítimas entre as questões em pauta.

Ele elogiou o desejo manifestado pela China de desempenhar um papel internacional "compatível com a sua capacidade econômica e política". Mas disse que os EUA vão advertir a China quando o país não respeitar "normas internacionais necessárias".

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Em seu primeiro discurso ao chegar a Pequim, o presidente Obama já havia tocado em alguns pontos sensíveis, afirmando que espera da China o respeito à propriedade intelectual e aos direitos humanos.

Enfraquecido para cumprir seus dois últimos anos de governo, após a recente derrota de seu Partido Democrata nas eleições legislativas, Obama será recebido por um anfitrião em trajetória oposta.

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Xi acumulou mais poderes do que qualquer líder chinês desde Deng Xiaoping, e ainda tem oito anos no cargo pela frente. Além disso, comanda uma economia que, segundo as previsões, deve ultrapassar a dos EUA e se tornar a maior do mundo até o fim desta década.

A diplomacia americana tenta reativar a política do "pivô" para a Ásia-Pacífico, a guinada do eixo estratégico para a região destinada a tranquilizar os aliados que temem a ascensão da China.

Mas até agora a política mostrou pouco resultado, enquanto os EUA mantêm-se ocupados com sua recuperação econômica e com crises internacionais, do conflito na Ucrânia à emergência do grupo terrorista Estado Islâmico.

Segundo o jornal "Wall Street Journal", durante o encontro na quarta será anunciada a criação de um mecanismo de comunicação entre os dois países, a fim de reduzir o risco de uma escalada militar.

No mais recente incidente, em agosto, um avião americano foi interceptado pela aviação chinesa quando patrulhava a costa sul da China.