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Bélgica assume Presidência da União Europeia em meio a divisão

Da Redação ·
 Turistas assistem ao Festival Café Cor em Bruxelas, capital da Bélgica, na última sexta-feira (25); país discute profundamente sua união
fonte: Foto por Julien Warnand/25.06.2010/AFP
Turistas assistem ao Festival Café Cor em Bruxelas, capital da Bélgica, na última sexta-feira (25); país discute profundamente sua união

Há mais de duas semanas sem conseguir definir um novo governo, a Bélgica vive mais uma crise política, em um momento no qual assume a Presidência da União Europeia nesta próxima quinta-feira (1º). As discussões sobre divisão do país devem necessariamente passar por quais cenários são os possíveis com o eventual “divórcio”.

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O racha entre a população francófona (de origem e fala francesa) e a flamenga, que vive na parte mais rica do país, expôs suas feridas nas eleições do último dia 13, quando os separatistas da Nova Aliança Flamenga (N-VA) conseguiram a maioria no Parlamento. Seu líder, Bart de Wever, de origem flamenga, se recusou a entrar em negociações para ser primeiro-ministro porque não acredita no país, de acordo com o jornal belga francófono Le Soir.

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Mas os problemas que levam o país a discutir novamente seu "divórcio" são antigos e vêm desde sua formação, como ressalta Marcus Vinícius Freitas, professor do curso de relações internacionais da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP).

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- Temos de lembrar que a Bélgica foi um Estado tempão, criado pelos ingleses para se defender de avanços da Alemanha em 1830. Foram unidos no mesmo país duas comunidades completamente diferentes, a flamenga e a de língua francesa. Os franceses foram os mais ricos por muito tempo, mas nos últimos 40 anos isso se inverteu, e os flamengos passaram a ter mais dinheiro.

Freitas explica que os francófonos, mesmo sendo minoria, ao longo da história impuseram sua língua aos flamengos. Mas, após muitos ressentimentos e com a inversão de papeis, o sentimento separatista dos flamengos acabou culminando na vitória do N-VA.

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O crescimento do partido separatista enfraqueceu os sociais-democratas cristãos, partido de Yves Leterme, que temporariamente ocupa o posto de primeiro-ministro até a definição de seu substituto.

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O movimento político - o N-VA levou mais cadeiras, mas não fez maioria - pode fazer com que um francófono, Elio Di Rupo, líder do Partido Socialista de língua francesa, se torne o novo primeiro-ministro, mas com uma base frágil de apoio.

O professor Heni Ozi Cukier, do curso de relações internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), afirma que o “divórcio belga” não pode ser pensado sem uma reflexão sobre o que aconteceria com o território e sua população.

- O risco de separação já foi maior, com uma União Europeia forte, a Bélgica poderia ser engolida. Agora só se [a parte do país que fala francês] fosse absorvida por outros países, mas é difícil [isso acontecer].