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Morre homem baleado supostamente por assassino de Glauco

Da Redação ·
Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o Cadu, assassino do cartunista Glauco (Agência Estado/VEJA)
Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o Cadu, assassino do cartunista Glauco (Agência Estado/VEJA)

SÃO PAULO, SP - Morreu na tarde de quinta-feira (23) o agente penitenciário Marcos Vinícius Lemes de Abadia, 46, baleado durante roubo, em Goiânia (GO), no dia 28 de agosto.

O suspeito do crime é Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o Cadu, 28, o assassino confesso do cartunista Glauco Villas Boas e seu filho Raoni. Ele está preso no Núcleo de Custódia, em Aparecida de Goiânia (a 16 km de Goiânia).

Um vídeo entregue à polícia mostra o momento em que Cadu caminha até o carro do agente penitenciário. Ele reage ao roubo e tenta tirar a arma do criminoso. Os dois lutam até o suspeito fugir com o veículo. Não é claro em qual momento a vítima foi baleada na cabeça.

Abadia foi levado em estado grave ao Hospital de Urgências de Goiânia, onde morreu na tarde desta quinta. Por este crime, Cadu responderá também por porte ilegal de arma de fogo.

Segundo a polícia, Cadu pode estar envolvido em um latrocínio, ocorrido no dia 31 de agosto, que acabou com a morte do estudante Matheus Pinheiro de Morais, 21. Um exame de balística apontou que o tiro que matou o jovem saiu da arma apreendida com o suspeito.

PRISÃO
A prisão de Cadu aconteceu porque o delegado Thiago Damasceno Ribeiro, que investigava os casos, reconheceu a placa de uma das vítimas em uma rua de Goiânia. O carro era conduzido pelo suspeito.

O suspeito tentou fugir ao ser abordado pelo delegado e por um guarda municipal passando com o carro pela calçada, mas bateu em um muro cerca de 500 metros depois. Ele ainda tentou seguir a pé, mas policiais militares viram ele correndo ensanguentado -por causa da batida- e o detiveram.

A polícia também prendeu Ricardo Pimenta de Andrade Junior, que estava com Cadu, dirigindo o carro da outra vítima, no momento da prisão. Os dois disseram à polícia que estavam com carros roubados, mas que não atiraram contra as vítimas.

Cadu negou a participação nos roubos, mas admitiu que recebeu dinheiro para transportar o veículo roubado.

Com a conclusão do inquérito, o Ministério Público deve encaminhar uma denúncia à Justiça. Se Cadu for citado, sua defesa deve se manifestar e haverá uma audiência, depois da qual a Justiça poderá solicitar exames e laudos médicos para avaliar se Cadu continua inimputável.

O CASO
O cartunista Glauco e o filho Raoni foram assassinados em março de 2010 em Osasco, na Grande São Paulo. Depois de ser reconhecido pela mulher de Glauco, uma das testemunhas do crime, Cadu confessou os assassinatos.

A investigação da polícia apontou que ele estava em surto psicótico, que teria sido agravado pelo consumo de drogas.
O contato de Cadu com a família de Glauco ocorreu pela igreja Céu de Maria, fundada pelo cartunista e que segue rituais do Santo Daime, entre eles com o uso de chá alucinógeno.

Cadu, que é esquizofrênico, foi declarado inimputável (não responsável pelos seus crimes) em 2011. A princípio, foi levado para um complexo médico penal no Paraná, e depois transferido a Goiânia.

Em 2013, Cadu recebeu autorização da Justiça para deixar a clínica psiquiátrica onde estava internado e retornar a casa de seus pais. 

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