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Medvedev defende ações "mais cruéis" contra extremistas

Da Redação ·
 Em visita ao Daguestão pediu medidas mais duras
fonte: Google Imagens
Em visita ao Daguestão pediu medidas mais duras

O presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, realizou nesta quinta-feira uma visita-surpresa ao conturbado Daguestão e pediu às autoridades locais que adotem medidas "mais duras e mais cruéis" no combate à "escória" dos extremistas que atuam no país.
 

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Antes da inesperada chegada de Medvedev, uma explosão provocou a morte de dois supostos militantes e feriu uma pessoa no Daguestão, situado no conturbado sul do território russo. De acordo com a polícia local, as vítimas da explosão aparentemente transportavam uma bomba improvisada que acabou acionada por descuido.
 

O líder russo disse a funcionários locais nesta quinta-feira que "as medidas de combate ao terrorismo devem ser expandidas e tornarem-se mais eficazes, mais duras e mais cruéis".
 

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A Rússia foi palco de dois sangrentos atentados no decorrer desta semana. Na segunda-feira, duas mulheres-bomba promoveram ataques suicidas contra o metrô de Moscou nos quais 39 pessoas morreram e dezenas mais ficaram feridas. Ontem, 12 pessoas morreram em mais dois atentados suicidas no Daguestão.
 

"As medidas para lutar contra o terrorismo precisam ser expandidas, elas precisam ser mais eficazes, mais duras, mais cruéis", disse Medvedev a funcionários locais e federais numa reunião televisionada.
 

Nesta quinta-feira, os moscovitas fizeram os funerais de algumas das pessoas mortas nos ataques contra o metrô na segunda-feira. No cemitério de Khovanskoye, a família, os amigos e colegas de Anna Permyakova, uma enfermeira de 34 anos morta no atentado, não conseguiam segurar as lágrimas.
 

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O diretor do Serviço Federal de Segurança, Alexander Bortnikov, juntou-se a Medvedev no Daguestão e disse que os mentores do ataque ao metrô de Moscou foram identificados como "bandidos" do norte do Cáucaso e alguns foram detidos. Ele não deu números específicos sobre as detenções.
 

"Nós sabemos quais foram os organizadores" dos ataques, disse Bortnikov. "Nós detivemos um número de pessoas, conduzimos interrogatórios e tomamos provas".
 

Nos últimos meses, a polícia e as forças de segurança da Rússia mataram pelo menos dois líderes islamitas de alto perfil, mas não conseguiram capturar o veterano militante checheno Doku Umarov, que assumiu a autoria dos atentados contra o metrô de Moscou.
 

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"Nós vamos encontrar todos e vamos punir todos", disse Medvedev, referindo-se aos terroristas chechenos. Mas ele alertou as autoridades e não aumentarem sentimentos profundos de preconceito.
 

"As pessoas que vivem aqui no Cáucaso são cidadãos da Rússia, não pessoas de origem do Cáucaso. Não é uma província estrangeira, é o nosso país", disse o presidente russo.
 

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Umarov, que lidera os insurgentes islamitas na Chechênia e no Norte do Cáucaso, disse que os ataques a bomba contra o metrô moscovita foram uma vingança pelas mortes de civis chechenos nas mãos das forças russas de segurança.
 

"Qualquer político e qualquer jornalista que me acusem de terrorismo só me fazem rir. Eu nunca vi ninguém acusar Putin de terrorismo ou de assassinar civis, que foram mortos sob suas ordens", disse Umarov, referindo-se ao atual primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin. Umarov, de 45 anos, lutou na década passada contra o exército russo nas duas guerras separatistas da Chechênia. Após assumir a liderança dos insurgentes em 2006, ele anunciou uma mudança de estratégia: ao invés de lutar pela independência da Chechênia, ele afirmou que o objetivo da insurgência é criar um Estado islâmico no Cáucaso. Umarov declarou-se emir, ou líder militar, de um "Emirado do Cáucaso". Acredita-se que o movimento atualmente seja financiado pela organização terrorista Al-Qaeda.
 

As mudanças conduzidas por Umarov, no entanto, levaram a uma cisão no movimento separatista chechênio e não está claro a extensão do poder que ele possui sobre os insurgentes no Cáucaso