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Presidente ucraniano se reúne com os líderes da oposição

Da Redação ·
Neste sábado (25), manifestantes atacam tropas policiais enquanto tentam se proteger em Kiev, na Ucrânia (Foto: Efrem Lukatsky/AP)
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Neste sábado (25), manifestantes atacam tropas policiais enquanto tentam se proteger em Kiev, na Ucrânia (Foto: Efrem Lukatsky/AP)

O presidente ucraniano, Viktor Yanukovitch, recebeu neste sábado (25) os líderes da oposição numa tentativa de realizar novas negociações depois do aumento da tensão na capital, anunciou a presidência em um comunicado.

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O boxeador Vitali Klitschko, Arseni Yatsneniuk, chefe do partido da opositora Yulia Timoshenko, assim como o nacionalista Oleg Tiagnybok participam do encontro, que pretende buscar uma saída para a crise que atinge o país há dois meses e que se agravou na semana passada com os confrontos que deixaram ao menos três mortos.

A tensão aumentou na noite desta sexta-feira (24) e madrugada de sábado (25), em Kiev, naUcrânia, onde foram registrados novos embates entre manifestantes e policiais nos mesmos lugares varridos por violentos choques esta semana.

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Os manifestantes voltaram a queimar pneus, alimentando a barricada que os separa há dias das forças do Batalhão de Choque, nas imediações do estádio do Dínamo de Kiev. Imagens transmitidas por uma emissora local mostravam bastante fumaça na rua Gruchevski.

Em um comunicado, o Ministério do Interior denunciou a atitude dos manifestantes, que "voltaram a provocar a polícia".

O governo e a oposição haviam acertado uma trégua de algumas horas na quinta-feira (23) para uma negociação, que não teve resultados positivos. Os protestos retornaram já na sexta-feira (24).

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Mortos
Um homem que ficou gravemente ferido nos violentos confrontos entre manifestantes e policiais na quarta-feira morreu neste sábado em um hospital da capital, informaram as fontes médicas.

Até o momento, o balanço de mortos feito pelas autoridades era de dois, enquanto que a oposição fala de cinco mortos.

Apesar do aumento da tensão, a situação desta sexta à noite não lembrava as cenas de guerrilha urbana dos dias anteriores.

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Nesse clima ainda delicado, o Ministério do Interior anunciou a descoberta, em Kiev, do corpo de um policial à paisana, com um ferimento na cabeça. Ainda não foi estabelecida uma relação entre essa morte e os protestos.

Prefeitura
Em meio aos confrontos, o Ministério do Interior da Ucrânia exigiu neste sábado a imediata libertação de dois policiais capturados na noite passada na Praça da Independência de Kiev pelos opositores ali concentrados.

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"Ainda mantêm dois policiais no edifício da prefeitura. Toda a noite houve negociações da polícia com a oposição, mas não se chegou a um acordo. Não há informação sobre o estado dos sequestrados", disse o ministério em comunicado em seu site.

Por sua parte, uma fonte policial citada pela agência Interfax Ucrânia advertiu que as forças de segurança invadirão o edifício se os dois agentes não forem libertados imediatamente.

A sede da prefeitura de Kiev, situada na avenida Kreschatik, a poucos metros da Praça da Independência, foi tomada pelos opositores em novembro passado, no começo dos protestos dos setores europeístas que exigem a assinatura de um acordo de associação com a União Europeia e a renúncia do governo.

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Negociação
O político da oposição, Vitali Klitschko, se reuniu na tarde de sexta-feira (24) com o comissário europeu de Ampliação, o tcheco Stefan Füle, que chegou na capital ucraniana no mesmo dia e que também tinha previsto um encontro com representantes do governo.

"Acabamos de discutir os caminhos para uma solução pacífica da crise política na Ucrânia. A situação é muito complicada. Falamos do retorno à Constituição de 2004 e da convocação de eleições antecipadas", garantiu Klitschko.

O opositor ressaltou a importância da libertação dos presos políticos, depois que ele e Füle compareceram ao tribunal de Kiev que analisa os casos abertos contra os manifestantes detidos.

O presidente Viktor Yanukovich anunciou na sexta que todos os detidos nos distúrbios, "que não tenham cometido crimes graves", serão anistiados e libertados.

Apesar de já haver uma data para a sessão parlamentar que tratará da reforma do governo e da revisão das controvertidas leis (28 de janeiro), Klitschko assegurou que as concessões de Yanukovich não são suficientes.