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Ciência especulativa precisa ser mais valorizada, diz Peter Higgs

Da Redação ·
Fonte da imagem: www.broadsheet.ie
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SÃO PAULO, SP, 8 de outubro (Folhapress) - "Espero que esse reconhecimento dado à ciência fundamental ajude a aumentar a consciência sobre o valor da pesquisa de céu aberto." Com esta frase, o físico escocês Peter Higgs encerrou um comunicado em que agradeceu a Academia Sueca de Ciências pelo prêmio Nobel de física deste ano.

Junto do belga François Englert, Higgs foi premiado pela teoria que postulou a existência do "bóson de Higgs", a partícula elementar que confere massa a outras partículas. Sua existência, que foi comprovada no ano passado em experimentos no LHC, o maior acelerador de partículas do mundo, era o que faltava para completar o Modelo Padrão, a teoria que explica as partículas fundamentais da matéria e da energia, além das suas forças de interação.

A declaração do cientista escocês sobre o "céu aberto" é uma menção à necessidade de se produzir ciência que não esteja embasada na realidade do presente, e explora terrenos mais especulativos e abstratos.

Quando Englert, Higgs e Robert Brout (outro belga, morto em 2011) começaram a elaborar a teoria sobre o bóson, na década de 1960, ainda não sabia se seria possível colocá-la sob teste. Sem um base experimental onde se apoiar, suas ideias eram uma exploração de natureza mais filosófica do que efetivamente científica. Mas do que uma partícula, os cientistas estavam propondo a existência de um mecanismo sobre como essas entidades materiais adquirem massa.

"O bóson era o teste experimental da existência de todo o mecanismo, e nós precisamos esperar um bocado pela comprovação", disse Englert na manhã de hoje, em entrevista coletiva por telefone. "Primeiro tivemos de esperar para ver se a teoria podia ser amarrada ao Modelo Padrão, o que levou um certo tempo. O Modelo Padrão foi construído durante os anos 1970, e só depois disso foi possível sair em busca de um teste."

A teoria de Higgs, Englert e Brout previa a existência de um "campo de Higgs", que permeia todo o espaço. As partículas que interagem com esse campo -o caso dos quarks, que compõem prótons e nêutrons do núcleo de um átomo- adquirem massa. Partículas que não interagem com o campo -o caso do fóton, a partícula de luz- ficam sem massa.

O bóson de Higgs em si é uma espécie de perturbação no campo de Higgs que se manifesta na forma de uma partícula. Produzir essa perturbação de forma mensurável, porém, requer grande energia. Só foi possível fazer isso quando o LHC -um acelerador de partículas movido a ímãs supercondutores num túnel de 27 km de circunferência- começou a colidir prótons.
 

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