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Polícia Militar de São Paulo mata 40% mais neste ano

Da Redação ·

A Polícia Militar do Estado de São Paulo matou 40% mais pessoas em ocorrências registradas como confrontos no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2009, segundo levantamento da SSP (Secretaria da Segurança Pública). Entre janeiro e março de 2010, foram 146 mortes, enquanto que, em igual trimestre do ano passado, foram 104 casos em todo o Estado.

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Quase metade dessas mortes ocorreu na capital paulista, que teve 71 ocorrências, 18 a mais que em 2009. Considerando a mesma base de comparação, o aumento em relação ao ano passado na capital foi de 33%. O total de feridos em confrontos com a Polícia Militar também deu um salto: de seis, em 2009, para 82, neste ano - número 12 vezes maior.

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Os dados, publicados neste fim de semana pelo governo de São Paulo, são praticamente estáveis se comparados os três primeiros meses deste ano com o último trimestre de 2009, quando foram registradas 145 mortes e 81 feridos em confrontos com a Polícia Militar. Já o último trimestre de 2009 registrou alta de 93% nas mortes em relação ao ano anterior.

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O R7 procurou a assessoria de imprensa da Polícia Militar para que a corporação comentasse os dados, mas até a publicação desta reportagem não obteve retorno. A SSP informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a PM se manifestaria sobre os números.

Policiais mortos

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A corporação também teve mais perdas neste ano. Cinco policiais morreram em serviço, enquanto que, no ano passado, foram três. Denis Mizne, diretor do Instituto Sou da Paz, afirma que esse é o momento de a SSP lançar uma política de menor "letalidade".

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– É hora de o governo pensar na letalidade de maneira geral. Se não, vamos perder uma conquista que levou anos para acontecer.

Mizne defende a nova polícia levando também em conta o aumento de assassinatos no Estado em relação ao primeiro trimestre de 2009 e de latrocínios [roubos seguidos de morte] em relação ao trimestre anterior. O diretor chega a classificar como “níveis preocupantes” os dados do balanço do governo.

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O especialista explica que uma Polícia Militar mais letal faz a população se acuar e deixar de colaborar com a instituição.

Também neste ano, houve queda nos registros de boletim de ocorrência – de 630 mil para 616 mil. Para Denis Mizne, no entanto, não é possível fazer uma ligação direta entre os dois dados.

– Seria preciso uma análise mais profunda e de um período maior.

Ele não descarta, contudo, a possibilidade de a quantidade de crimes ter de fato diminuído.