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Desencontro atrasa reconstituição do desaparecimento de Amarildo

Da Redação ·

Por Diana Brito RIO DE JANEIRO, RJ, 1 de setembro (Folhapress) - Depois de um desencontro, a reconstituição para esclarecer o desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo Dias de Souza, 43, que estava marcada para as 15h de hoje na Rocinha, zona sul do Rio, pode acontecer nas próximas horas. Os 20 PMs de plantão no dia 14 de julho, data que Souza sumiu, foram liberados pelo Estado Maior da PM por conta do atraso da Polícia Civil. Os policiais militares aguardavam a Polícia Civil desde as 12h para a realização da reconstituição. Depois de quase quatro horas de espera, os PMs deixaram a sede da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da comunidade às 15h55 numa van da corporação. O major Edson Santos, que deve deixar o comando da UPP nesta semana, também foi embora. O delegado responsável pela investigação, Rivaldo Barbosa, da Divisão de Homicídios da cidade, chegou com os peritos da unidade 15 minutos depois da partida dos PMs, às 16h10. Por volta das 17h30, a assessoria da Polícia Civil disse que os PMs voltaram a ser acionados para retornar à favela. Às 18h, os policiais ainda não haviam retornado à Rocinha. Se a simulação acontecer, deve acabar no meio da madrugada. A previsão é que ela comece numa localidade conhecida como Cachopa, em seguida, no CCC (Centro de Controle de Câmeras), na sede da UPP, e em outra região chamada Portão Vermelho. O desaparecimento de Amarildo gerou uma série de protestos no Rio e em outras capitais, como São Paulo, no mês passado. Segundo a polícia, uma das 80 câmeras instaladas na favela mostra o pedreiro entrando no carro da PM, próximo à rua 2, no interior da comunidade, e seguindo para a sede da UPP. Na noite do dia 14, apenas duas câmeras não funcionavam na favela da Rocinha, de acordo com policiais civis. Justamente as duas instaladas diante da sede da UPP. A cúpula de segurança do Rio informou no mês passado que trabalha com a hipótese de que o pedreiro esteja morto. Cinco policiais da UPP da Rocinha são investigados por tortura e abuso de autoridade contra moradores da favela. Entre eles estão o comandante da unidade, major Edson Santos, e os soldados Rodrigo de Macedo Avelar da Silva e Douglas Roberto Vital Machado, também investigados pelo desaparecimento de Amarildo. Os outros PMs acusados de tortura e abuso são Luciano Silva de Carvalho e Vitor Luiz Evangelista. O Ministério Público pede a expulsão deles da PM, além da suspensão do porte e o recolhimento das armas. O caso foi denunciado à 15ª Promotoria de Investigação Penal da 1ª Central de Inquéritos. O Ministério Público, junto à Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa da Cidadania, também analisa uma proposta de ação civil pública contra os cinco PMs.  

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