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Classe médica diz que denunciará troca de médicos

Da Redação ·





Por Aguirre Talento, Lucas Reis Nelson e Barros Neto

FORTALEZA, CE, MANAUS, AM, E SALVADOR, BA, 30 de agosto (Folhapress) - O presidente do Cremece (Conselho Regional de Medicina do Ceará), Ivan de Araújo, afirmou que irá denunciar casos de substituições de médicos à Promotoria de Defesa da Saúde Pública, do Ministério Público do Ceará.

"É um desvirtuamento do programa. O que foi anunciado é que a medida iria trazer mais médicos, e não substituir uns por outros", afirmou.

"Temos ouvido rumores [sobre as demissões] e nossa fiscalização está investigando", completou Araújo.

Reportagem de hoje da Folha de S.Paulo mostrou que prefeitos de cidades do Norte e Nordeste planejam trocar médicos contratados nas cidades por profissionais do Mais Médicos, programa do governo federal. O objetivo desses prefeitos é, com isso, cortar gastos dos municípios.

Já o Simec (Sindicato dos Médicos do Ceará) diz que colocará o departamento jurídico à disposição dos médicos demitidos. "Vão trocar um médico com direitos trabalhistas e colocar outro sem essas condições", afirmou o presidente do sindicato, José Maria Pontes. "É uma palhaçada", completou.

No Amazonas, o presidente local do CRM, Jefferson Jezini, que recebeu ao menos duas reclamações de médicos substituídos, e que a orientação aos profissionais é formalizar a queixa para entrar com uma ação contra o governo federal.

"O governo diz que os municípios que fizerem isso [troca de médicos] terão os contratos rescindidos. Os municípios não podem ser oportunistas e predadores", disse.

O CRM-AM informou que publicará nota em jornais locais para orientar os médicos "que sofrerem este tipo de constrangimento" a encaminharem denúncias.

O presidente do CRM-BA, José Abelardo de Meneses, diz que já havia denunciado a situação ao Ministério Público e à Assembleia Legislativa. "Mas ninguém deu a mínima importância.

"Essa troca de médicos, para completar, vai acabar desempregando brasileiros para trazer profissionais de outros países. A situação não vai melhorar. Vai piorar."

Na próxima segunda-feira, o setor jurídico da entidade vai se reunir com o do sindicato dos médicos da Bahia e o da associação estadual para definir quais medidas serão tomadas, todas em conjunto.

Para o presidente do sindicato, Francisco Magalhães, a polêmica em torno da substituição dos médicos é uma hipocrisia. "Se o médico vem para ganhar R$ 10 mil, e o município chega a pagar o triplo, nada mais justo que o prefeito tomar essa atitude. Acho isso uma hipocrisia", afirma.

"Eu também queria que o ex-presidente Lula e a presidente Dilma, que são atendidos no Sírio Libanês [hospital privado de São Paulo], fossem atendidos por esse tipo de médico que chegaram aí."

 

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