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Na Bienal, escritor diz que há espaço para o livro ruim

Da Redação ·

Por Adriano Barcelos RIO DE JANEIRO, RJ, 29 de agosto (Folhapress) - Em um dos debates de destaque no primeiro dia da 16ª Bienal do Livro do Rio, o Café Literário reuniu na tarde de hoje quatro novos escritores para discutir os rumos da atividade em tempos de internet. Os brasileiros Noemi Jaffe, Vinicius Jatobá e Wesley Peres compartilharam o microfone com o português Nuno Camarneiro e passaram suas impressões sobre o atual momento literário, de forma descontraída e informal. Camarneiro, ganhador do prêmio Leya do ano passado, brincou com a importância das premiações para maior projeção na carreira literária. "Se não fosse pelo prêmio, nunca teria aparecido na televisão", afirmou o português, para riso geral. Ele salientou que Portugal, a exemplo do Brasil, não tem uma massa leitora vigorosa, como existe na Alemanha ou em países nórdicos. Para Jatobá, escritor com carreira consolidada também como crítico, o momento é favorável para a literatura. Ele rejeita a tese de que existem muito mais pessoas interessadas em escrever do que exatamente um público leitor para absorver esses textos. "Não concordo que existam mais escritores que leitores. Além do mais, o livro ruim também tem seu espaço. Não vejo nada de mau nisso". Noemi, que também divide seu tempo entre a produção de seus livros, a crítica literária e oficinas de escrita, tem uma relação próxima com a internet --ao contrário de Jatobá. "Não me dei bem com blog porque havia sempre a possibilidade de editar o texto, reescrever. Nunca ia para frente", diz ele. Ao que Noemi responde: "então seria o blog de um post só". Ela contou a experiência de contato direto com o público por meio de seu blog e disse adorar o Facebook. "Eu admito que gosto. É o único canal possível para manter contato com diversas pessoas", afirmou. Abertura da Bienal O evento de abertura da edição de 2013 da Bienal do Livro ocorreu na tarde de hoje e contou com a presença da ministra da Cultura, Marta Suplicy. Na solenidade, editores de livros cobraram do governo uma nova legislação para proteger os direitos autorais. A Bienal do Livro do Rio, que ocorre entre 29 de agosto e 8 de setembro no Riocentro, na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense, tem expectativa de atrair 600 mil pessoas ao longo dos 11 dias de atividades.  

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