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Presidente eleito critica política econômica de Ahmadinejad

Da Redação ·





Por Samy Adghirni

TEERÃ, IRÃ, 15 de julho (Folhapress) - Na primeira crítica pública ao atual governo desde sua vitória nas urnas, o presidente eleito do Irã, Hasan Rowhani, acusou o presidente Mahmoud Ahmadinejad de incompetência econômica e disse que a verdadeira taxa de inflação é amplamente superior ao índice oficial.

"É a primeira vez desde a guerra imposta [Irã-Iraque, 1980-1988] que o crescimento econômico é negativo por dois anos consecutivos", disse Rowhani, que assume em agosto, citado por vários jornais publicados nesta segunda-feira.

A economia iraniana teve retração de 1,9% no ano passado, segundo o FMI (Fundo Monetário Internacional), que projeta outra queda, de 1,3%, em 2013. O país chegou a crescer 6,7% em 2007, dois anos após Ahmadinejad assumir a Presidência.

Rowhani, um clérigo conhecido por posições pragmáticas, disse que sua equipe econômica avalia a verdadeira taxa de inflação do país em 42% em vez dos 32% divulgados pelo atual governo.

"É a mais alta inflação da região, talvez do mundo", afirmou Rowhani, eleito no primeiro turno com 51% dos votos graças ao apoio da oposição reformista.

Embora o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, seja a mais alta autoridade do país, a política econômica cabe ao presidente e seus ministros.

Rowhani também questionou a tese pela qual o governo Ahmadinejad criou centenas de milhares de empregos, afirmando que apenas 14 mil postos foram gerados entre 2006 e 2012, segundo avaliação da equipe de transição.

O presidente eleito disse que a disputa aberta entre Ahmadinejad e o Parlamento nos dois últimos anos prejudicou a gestão do país. No auge da crise, em fevereiro, o presidente acusou publicamente a família do líder do Legislativo de corrupção.

"O próximo governo não pensará em confrontar o Parlamento nem pensará, Deus nos livre, em enganar [o Legislativo] com estatísticas inexatas", afirmou Rowhani, citado pela agência Mehr.

O aceno é visto como uma tentativa de conquistar a simpatia dos deputados, já que o gabinete de Rowhani só poderá tomar posse caso seja aprovado pelo Legislativo.

Rowhani admitiu que a situação econômica resulta também das "injustas pressões externas", refletindo a opinião dominante entre analistas de que a crise é fruto de um misto de má gestão e sanções ao programa nuclear, que Teerã diz ser voltado para fins pacíficos.

Punições financeiras e comerciais dificultam a exportação de petróleo, sustentáculo da economia nacional, e a captação de divisas fortes.

Rowhani se elegeu em grande parte graças à promessa de aliviar as sanções como forma de relançar a economia.

Mas diplomatas dizem que a perspectiva de diminuir o cerco a Teerã ainda é distante.

"Mesmo que haja um acordo nuclear, o governo americano precisará do apoio do Congresso para levantar sanções, e é improvável que os parlamentares americanos aceitem esta concessão à Casa Branca", disse um embaixador europeu em Teerã.
 

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