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Por R$ 10 mi, João Gilberto se associa a Daniel Dantas

Da Redação ·





RIO DE JANEIRO, RJ, 13 de julho (Folhapress) - A fim de aliviar a "péssima situação financeira", o cantor e compositor João Gilberto associou-se ao empresário Daniel Dantas para receber R$ 10 milhões, afirma reportagem publicada pela revista "Época".

Segundo a reportagem, os dois assinaram um contrato em abril no qual Dantas antecipa a quantia ao cantor em troca de metade da indenização a ser recebida por João Gilberto da EMI, fruto de uma briga judicial que se arrasta há mais de 20 anos.

O compositor alega que a gravadora lançou em 1988, sem autorização, um CD com coletânea remixada de suas músicas. O processo teve um desfecho no ano passado com a vitória de João Gilberto.

O valor da indenização, porém, segue em debate na Justiça. Enquanto a gravadora calcula em R$ 1,2 milhão, os advogados de João Gilberto apontam R$ 100 milhões como o valor justo. Não há previsão para o fim do processo.

O contrato com o empresário permitiu que o músico obtivesse já os R$ 10 milhões, sem ter que esperar a decisão judicial. De acordo com a revista, o contrato explicita como uma das razões as dificuldades financeiras por que passa o músico, ícone da bossa nova.

"Os atos praticados pela EMI Brasil (...) levaram João Gilberto a viver em péssima situação financeira, impedindo que ele concentrasse sua atenção nas atividades da indústria fonográfica, agravando seus prejuízos", diz o contrato, segundo a publicação.

Segundo a reportagem, a P.I. Participações, empresa de Dantas, se compromete a coordenar a atuação no processo contra a EMI para "maximizar os retornos" da ação judicial.

O contrato prevê ainda que a empresa de Dantas também deve atuar judicialmente a fim de recuperar os LPs originais gravados nas décadas de 1950 e 1960. Parte do material foi enviado e passa por perícia. A família de João Gilberto afirma crer que nem tudo é original, mas sim cópias.

Dantas obteve ainda, segundo a reportagem, direito na comercialização das gravações. O compositor, porém, será o responsável por indicar e contratar os profissionais para a nova remasterização dos LPs. A remixagem de suas músicas feitas pela EMI na década de 1980 foi um dos motivos da briga judicial.

Em gravações feitas pela mãe da filha caçula do músico, Claudia Faissol, para documentário ainda não lançado, o músico expôs o que o incomodou.

"No processo [de digitalização], tiram coisas, frequências, fazem besteira. Mudam o som. É uma outra coisa. Eu não sei o que eles fazem, mas sei que fica diferente. Aí então eu me apresento, eu luto por isso."

A Folha de S.Paulo não localizou representantes do músico para comentar o contrato. A assessoria do Opportunity, grupo empresarial de Dantas, afirmou que emitiria nota sobre o caso, mas ela não havia sido divulgada até o início da noite de hoje.
 

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