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Segurança-EUA - (Atualizada)

Da Redação ·

Snowden pede asilo temporário à Rússia até poder ir à América Latina SÃO PAULO, SP, 12 de julho (Folhapress) - O técnico em informática Edward Snowden apresentou hoje um pedido de asilo temporário à Rússia para que possa entrar ao país até conseguir viajar à América Latina. Para tanto, ele prometeu não prejudicar a relação dos russos com os Estados Unidos. Snowden foi o responsável por revelar o esquema de monitoramento de dados de internet e de telefones feito pelos Estados Unidos a milhões de pessoas e dezenas de governos de todo o mundo. Ele está no aeroporto de Sheremetyevo, em Moscou, desde o dia 23 e teve o asilo diplomático aceito por Bolívia, Nicarágua e Venezuela. No entanto, terá dificuldades para viajar devido à ameaça de bloqueio do espaço aéreo europeu. Em comunicado após uma reunião com ativistas de direitos humanos divulgado pelo site WikiLeaks, ele disse esperar que Moscou aceite o asilo e recebeu o apoio da Human Rigths Watch e da Anistia Internacional. As entidades também prometeram ajuda em sua viagem à América Latina. Pouco após o início da reunião, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, voltou a dizer que a Rússia deixaria o delator ficar se não prejudicar a relação de Moscou com os Estados Unidos, uma condição que Snowden não aceita. O delator diz ter recebido propostas de asilo de Rússia e Equador, além dos três países que oficialmente as fizeram, e que aceitará quaisquer outras que lhe sejam oferecidas no futuro. No entanto, ele considerou "impossível" viajar à Venezuela, devido ao bloqueio europeu e americano, o qual chamou de "ameaça ilegal". Para o informante, os Estados Unidos violaram a lei internacional ao pressionar outros países a rejeitar seu asilo, no que considera uma ameaça "aos direitos básicos de qualquer pessoa e nação de viver livre de perseguição e buscar e oferecer asilo". Carta Em uma carta publicada antes do encontro, Snowden criticou os Estados Unidos por fazer "uma perseguição maníaca aberta, a qual põe em perigo os passageiros dos voos que se dirigem a uma série de países latino-americanos". Para ele, a pressão a diversos países para que não lhe concedam asilo viola a Declaração Universal de Direitos Humanos. "Nunca na história um grupo de países conspirou para pousar um avião presidencial para buscar um refugiado político", afirmou, em referência ao bloqueio à aeronave do presidente da Bolívia, Evo Morales. Ontem um desvio de rota do voo da Aeroflot que liga Moscou à Havana, única ligação da Rússia com a América Latina, fez com que dezenas de jornalistas fossem ao aeroporto José Martí, na capital cubana, à espera do delator. O anúncio não foi feito por nenhum governo, mas a expectativa aumentou devido à publicação de um mapa pelo jornal "Washington Post" em que o avião russo voou mais ao sul, aparentemente para evitar o espaço aéreo americano. Pouco depois, o próprio jornal disse que o desvio se deveu ao mau tempo na Groenlândia. Monitoramento A revelação do esquema de espionagem causou uma crise diplomática entre os Estados Unidos e diversos parceiros estratégicos, como a Europa, o Japão e a Rússia. O monitoramento também recebeu fortes críticas de países latino-americanos, como o Brasil. A América Latina ainda aumentou o tom contra os americanos após o avião de Evo Morales ser bloqueado na Europa quando ele voltava de Moscou, na semana passada. Devido ao incidente, que foi atribuído aos Estados Unidos por diversos países, Bolívia, Nicarágua e Venezuela anunciaram o asilo ao delator. A NSA, cujo material foi divulgado por Snowden, é uma das organizações mais sigilosas do mundo. De acordo com as informações apresentadas pelo delator, a agência monitorou os registros de ligações de milhões de telefones da Verizon, segunda maior companhia telefônica dos EUA. Também foram verificados dados de usuários de internet de todo o mundo em empresas de internet como Google, Facebook, Microsoft e Apple. O escândalo causou críticas ao presidente Barack Obama, que combateu a espionagem feita pelas agências quando fazia oposição ao republicano George W. Bush.  

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