Geral

Ex-aliados disputam chefia do sindicato na cidade de SP

Da Redação ·
De aliados a inimigos que se enfrentam nos tribunais, os dois homens que disputam nesta quinta-feira, 11, a presidência do Sindicato dos Motoristas de Ônibus de São Paulo têm em comum um longo histórico de problemas com a Justiça. Nas fichas policiais de Isao Hosogi, de 60 anos, da situação, e de Valdevan Noventa, de 44, da chapa de oposição, constam acusações de enriquecimento ilícito, formação de quadrilha e suspeita de ligação com o crime organizado. Alguns desses crimes teriam sido cometidos por ambos até 2003, quando Hosogi e Noventa, diretores da mesma chapa que comandava o sindicato, foram presos acusados de comandar uma máfia que organizava greves em conluio com as empresas de ônibus. Hoje, porém, eles trocam acusações. As rusgas começaram há cerca de cinco meses, quando Noventa passou a ganhar apoio de parte da atual diretoria para montar chapa própria pela disputa da entidade. Noventa distribuía nesta quarta-feira panfletos com o título "Jorginho do Patrão", com fotos de supostas casas de praia de Hosogi em Ilhabela e Itanhaém, além de imóveis que somariam um patrimônio de mais de R$ 16 milhões. A situação acusa os oposicionistas de terem "ficha-suja" com a polícia. "Nós descobrimos, de um mês para cá, que o japonês nem brasileiro é. Tenho provas de que ele não foi naturalizado. Como pode um estrangeiro querer representar o sindicato dos motoristas?", questiona Noventa. "Eu cheguei ao Brasil com 4 anos. Sou casado com uma cearense. Nem conheço o Japão. Sou muito mais brasileiro do que ele", responde Hosogi. O atual presidente também nega o enriquecimento. "Eu só tenho uma casa em Itanhaém de três cômodos, nunca fui para Ilhabela", argumenta Hosogi. "Ele foi quem ganhou casa do dono da VIP Transporte e aceitou uma cesta básica ruim para os trabalhadores", emenda Noventa. Disputa Após serem libertados em 2004, Hosogi assumiu a presidência do sindicato, com apoio do ex-presidente Edvaldo Santiago, de 65 anos. Noventa passou a comandar uma cooperativa de perueiros em Taboão da Serra, onde se tornou vereador. No comando do sindicato, Hosogi voltou a ter problemas com a Justiça em 2010. Após a morte de dois diretores da entidade, a polícia colocou Hosogi como suspeito de ter desviado dinheiro de contratos de planos de saúde da categoria. Na mesma época, Noventa foi investigado por suspeita de lavar dinheiro para o tráfico de Paraisópolis nos lotações de Taboão. Ambos dizem já terem respondido todas as acusações. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
continua após publicidade