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Coreias discordam sobre reabertura de área industrial conjunta

Da Redação ·





SÃO PAULO, SP, 10 de julho (Folhapress) - Os governos da Coreia do Sul e da Coreia do Norte não chegaram a um acordo na reunião de hoje sobre a reabertura do complexo industrial de Kaesong. No entanto, os dois países retomaram as negociações para permitir a viagem de famílias que ficaram divididas por causa da Guerra da Coreia (1950-1953).

Seul e Pyongyang voltaram a dialogar em junho, após três meses de tensão que levaram ao fechamento de Kaesong. A medida foi uma represália de Kim Jong-un a duas resoluções da ONU (Organização das Nações Unidas) contra o país devido ao teste nuclear de fevereiro e ao lançamento de um foguete em dezembro.

As restrições causaram a fúria do país comunista, que em março e abril ameaçou a fazer um ataque nuclear contra os sul-coreanos e os Estados Unidos. Outro motivo de tensão no período foram os exercícios militares executados por Seul e Washington.

Segundo o Ministério de Unificação sul-coreano, a proposta da volta das viagens das famílias foi transmitida em reunião na vila de trégua de Panmunjon. A última reunião de famílias, a maioria idosos, foi realizada em 2010, em um evento na zona desmilitarizada entre os dois países.

Em relação ao complexo industrial de Kaesong, fechado há três meses, não houve acordo. De acordo com o Ministério de Unificação, Seul exigiu medidas para garantir que as fábricas não voltem a ser fechadas, mas Pyongyang queria a reabertura imediata.

A Coreia do Norte já sugeriu, há alguns dias, que exigiria o reatamento imediato e incondicional prévio das operações de Kaesong e, segundo analistas, também planejava solicitar na reunião de hoje um aumento de salário para os trabalhadores, a ampliação do tamanho do complexo e mudanças nas normas fiscais.

Inspeção

As delegações convocaram uma reunião no dia 15 para tentar resolver o impasse. Ainda hoje, representantes da Coreia do Sul entraram em Kaesong para verificar a situação dos equipamentos das fábricas que operam na região.

Segundo Kim Hak-kwon, membro da comitiva, serão necessárias pelo menos três semanas para restaurar as máquinas, que foram prejudicadas pela umidade durante o fim da primavera e o início do verão, temporada de chuvas na península coreana.

Inagurada em 2004, a área industrial tem fábricas de 120 empresas sul-coreanas e rende cerca de US$ 480 milhões (R$ 1,01 bilhão) por ano aos norte-coreanos, uma das poucas fontes de recursos para o regime de Kim Jong-un.

A atividade das 123 empresas sul-coreanas presentes em Kaesong foi interrompida depois que o regime comunista retirou seus 53.000 funcionários, no dia 8 de abril. Semanas depois, saíram da região os 800 sul-coreanos que exercem funções de chefia nas fábricas.

Devido ao fechamento, a Coreia do Sul liberou US$ 273 milhões (R$ 546 milhões) para compensar as empresas, conforme contrato assinado antes da abertura das fábricas, em 2004, que prevê reparação de prejuízos em caso de fechamento maior que um mês.

Pyongyang retomou a sua disposição ao diálogo e diminuiu a retórica belicista em maio, após forte pressão da China, seu principal aliado. Pequim se irritou com o aumento da tensão na região e as ameaças do regime norte-coreano.
 

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