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Partido islâmico rompe com golpistas após massacre no Cairo

Da Redação ·

SÃO PAULO, SP, 8 de julho (Folhapress) - O partido salafista egípcio Al-Nur, que apoiou o golpe que depôs o presidente eleito Mohammed Mursi, anunciou a suspensão de seus esforços em compor o governo interino do país. A decisão foi tomada após o massacre de ao menos 51 apoiadores de Mursi e da Irmandade Muçulmana, em frente à sede da Guarda Republicana, no Cairo. Os policiais abriram fogo contra a multidão, alegando terem sido atacados antes. Outros 435 estão feridos. O Al-Nur, que defende um governo islamita radical, apoiava o governo de Mursi e da Irmandade Muçulmana, também associados à religião, até janeiro, quando se juntou à oposição -tendo sido o único governo islamita ligado ao golpe. Entre outras decisões, o partido vetou o nome do diplomata e Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, ícone liberal do país, como primeiro-ministro interino. Prptestos A Irmandade Muçulmana classificou as mortes de hoje como um "massacre" cometido pelo Exército e a polícia contra manifestantes pacíficos, convocando mais protestos para esta terça. "Convoco os egípcios a escutarem a voz da razão antes que seja tarde demais. Imediatamente, deve cessar qualquer ação que possa causar o caos", afirmou o líder religioso. O xeque Ahmed al Tayyip, da instituição mais tradicional do islã sunita Al-Azhar, pediu nesta segunda-feira que os egípcios alcancem um acordo para reconciliação nacional "antes que o país caia na guerra civil". Em mensagem à nação, Tayyip pediu a libertação de todos os presos políticos, o retorno à democracia em menos de seis meses, a formação de um comitê de reconciliação nacional em um máximo de dois dias e uma investigação urgente sobre o episódio ocorrido hoje em frente à sede da Guarda Presidencial, que terminou com 42 pessoas mortas e mais de 300 feridos. O xeque de Al-Azhar alertou sobre o risco de uma guerra civil e lembrou que já fez isso em outras ocasiões. Tayyip revelou que ficará em sua casa "até que todos assumam suas responsabilidades pelo derramamento de sangue". Tayyip, que teve grandes divergências nos últimos meses com a Irmandade Muçulmana, pediu que se anuncie rapidamente um calendário para o país, não superior a seis meses, para retornar o caminho democrático no país.  

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