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Comissão do Senado quer explicações sobre espionagem estrangeira

Da Redação ·





Por Gabriela Guerreiro

BRASÍLIA, DF, 8 de julho (Folhapress) - A Comissão de Relações Exteriores do Senado vai votar amanhã pedidos para que quatro ministros brasileiros e o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, falem aos congressistas sobre as ações de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA, em inglês) e agentes da CIA no Brasil. A comissão marcou reunião extraordinária amanhã para discutir o caso.

Serão convidados a falar aos senadores os ministros Antônio Patriota (Relações Exteriores), Celso Amorim (Defesa), Paulo Bernardo (Comunicações) e José Elito (Segurança Institucional), além de Shannon e do jornalista do "The Guardian" Glenn Greenwald.

Senadores cobram explicações do governo sobre o caso porque consideram uma "intromissão" do governo norte-americano nas atividades brasileiras. Da tribuna do Senado, diversos congressistas se revezaram hoje em discursos que atacam as ações de espionagem dos EUA -e cobram uma reação firme do governo federal.

"Esses episódios mexem com o Estado brasileiro, mexem com a nossa soberania", disse o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE). "O povo brasileiro espera de seus governantes e dos parlamentares uma resposta no mínimo enérgica. Isso merece uma resposta à altura do ultraje que o Brasil está sendo vítima", completou o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

Segundo o jornal "O Globo", pelo menos até 2002 funcionou em Brasília uma das estações de espionagem nas quais funcionários da NSA e agentes da CIA trabalharam em conjunto. O jornal teve acesso a documentos da NSA que revelam que Brasília fez parte da rede formada por 16 bases da agência dedicadas a um programa de coleta de dados por meio de satélites abrigados em outros países.

O texto de "O Globo" também mostra que existe um conjunto de documentos da NSA, datados de setembro de 2010, cuja leitura pode levar até a conclusão de que escritórios da Embaixada do Brasil em Washington e da missão brasileira nas Nações Unidas, em Nova York, teriam sido alvos da agência em algum momento. O jornal, porém, diz que não foi possível confirmar a informação e nem se esse tipo de prática continua.

Tais documentos da NSA foram vazados pelo técnico em informática Edward Snowden, que trabalhou para a CIA durante os últimos quatro anos. Em junho, o jornal britânico "The Guardian" publicou reportagens com as primeiras revelações de Snowden sobre o monitoramento de milhões de telefones e de dados de usuários de internet em todo o mundo.

Asilo

Da tribuna,os senadores Roberto Requião (PMDB-PE) e Eduardo Suplicy (PT-SP) defenderam que o governo brasileiro conceda asilo político a Snowden. O delator norte-americano agora é procurado pela Justiça dos EUA. Ele teve o passaporte revogado e acredita-se que esteja na área de trânsito do aeroporto de Moscou, na Rússia. Venezuela, Nicarágua e Bolívia lhe ofereceram asilo diplomático.

"O Snowdwen é um heroi dos Estados Unidos. Amanhã ou depois, eles vão ser lembrar do Snowden, não vão se lembrar do Obama", disse Requião.

Para Suplicy, o ex-técnico da CIA colaborou com os norte-americanos ao divulgar informações sigilosas. "Ele deu uma contribuição muito importante, inclusive para mostrar que pessoas no Brasil estavam sendo violadas no seu direito constitucional da privacidade", afirmou o senador.

 

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