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Governo-Bolívia - (Atualizada)

Da Redação ·

Evo Morales diz que pedidos de desculpas de europeus não bastam SÃO PAULO, SP, 4 de julho (Folhapress) - O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse hoje que as desculpas dos países europeus que proibiram o uso de seu espaço aéreo na terça-feira, quando ele retornava de Moscou a La Paz, "não bastam", e anunciou que seu país tomará medidas diante de organismos internacionais. "Não bastam apenas as desculpas de algum país que não nos deixou passar por seus territórios", disse Evo, que retornou às suas atividades oficiais, com um ato público na zona central de Chapare, depois de chegar a La Paz na quarta-feira procedente de Viena. Ele disse que seu governo buscará "o respeito" aos tratados e às normas internacionais para respaldar sua reivindicação perante os organismos externos. "Muito dependerá do debate jurídico e político, mas também do debate do ponto de vista dos direitos", disse o líder boliviano. A Bolívia acusa França, Espanha, Itália e Portugal de revogarem temporariamente as autorizações de voo quando Evo viajava da Rússia a La Paz, diante das suspeitas de que transportava o ex-técnico da CIA Edward Snowden, que revelou um megaesquema de espionagem do governo dos EUA. Apenas o ministério das Relações Exteriores francês manifestou seu pesar pelo contratempo, enquanto o presidente François Hollande disse que autorizou imediatamente que o avião boliviano sobrevoasse a França quando soube que o presidente Morales estava a bordo. Depois de gestões bolivianas, Lisboa, Madri e Roma autorizaram que a aeronave presidencial atravessasse o espaço aéreo do país, podendo retornar a La Paz. Evo ressaltou que o ocorrido "não é uma casualidade" e nem "um erro", mas "parte das políticas de seguir amedrontando o povo da Bolívia e da América Latina". "Nosso pecado, nosso delito é ser indígena, anti-imperialista e questionar todas as políticas econômicas que só levam à miséria e à pobreza", afirmou. O presidente boliviano lamentou o fato de "ainda haver países que são mais servis às políticas dos EUA" na Europa e insistiu em acusar os EUA de haver pressionado as nações europeias para bloquear seu voo. Unasul Presidentes e ministros da Unasul se reunirão hoje, a partir das 19h (hora de Brasília), em Cochabamba, para discutir o tema. O presidente do Equador, Rafael Correa, disse que o encontro deve tomar decisões ante à humilhação sofrida por Evo. "Vamos à Bolívia dar um abraço solidário ao nosso irmão Evo Morales, à nossa querida Bolívia, mas também tomar decisões e demonstrar que não vamos aceitar este tipo de humilhações a nenhum país da nossa América", disse Correa, que propôs a reunião, antes de embarcar. O encontro contará com a presença de outros cinco presidentes: Nicolás Maduro (Venezuela), Cristina Kirchner (Argentina), José Mujica (Uruguai) e Dési Bouterse (Suriname), além do anfitrião. O Brasil será representado pelo secretário-geral do Itamaraty, Eduardo dos Santos, além do assessor especial da Presidência para Relações Internacionais, Marco Aurélio Garcia, e do subsecretário de América do Sul, Central e Caribe, Antonio Simões. A presidente Dilma Rousseff decidiu não ir à reunião e o chanceler Antonio Patriota não chegaria a tempo, já que está em visita a Haia, na Holanda. Na quarta (3), a presidente Dilma Rousseff expressou em comunicado sua "indignação e repúdio" e exigiu "pronta explicação e correspondentes escusas". Venezuela Hoje, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse que reavaliará as relações diplomáticas com a Espanha e chamou de infame o governo de Mariano Rajoy. "Quem o presidente [de governo, Mariano] Rajoy acha que é? Que nós, sul-americanos, somos nossos escravos?". Em nota, o colombiano Juan Manuel Santos disse que se solidariza com o bloqueio sofrido por Evo Morales, mas não gostaria que a situação se transformasse em uma crise diplomática entre a América do Sul e a União Europeia. O país, que é membro da Aliança do Pacífico, tenta um acordo de livre comércio com a União Europeia, assim como o Mercosul. Ainda não há previsão sobre o teor do comunicado ou as represálias que poderão ser tomadas pelos integrantes da Unasul. O Senado do Paraguai considerou o bloqueio injusto. O governo do país é o único integrante da Unasul que ainda não se pronunciou oficialmente sobre a crise diplomática envolvendo Evo Morales e os países europeus. Alguns países, assim como a Bolívia, acusaram os Estados Unidos de estarem por trás do impedimento. Viagem Morales chegou na noite de ontem à Bolívia. Desembarcou no aeroporto da cidade de El Alto, vizinha a La Paz, às 23h39 locais (0h39 Brasília), quase 17 horas após partir de Viena, onde realizou um pouso de emergência depois de partir de Moscou. O Falcon da Força Aérea Boliviana realizou escalas técnicas em Fortaleza e na ilha de Gran Canária, depois de receber autorização do governo espanhol na manhã de ontem para sobrevoar seu espaço aéreo. Com uma expressão de cansaço e emocionado, o líder recebeu muitos colares de flores e cachecóis artesanais das pessoas que o esperavam no desembarque do aeroporto.  

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