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Governo-Bolívia 2 - (Atualizada)

Da Redação ·

Patriota condena "atitude arrogante" de europeus contra Morales Por Isabel Fleck SÃO PAULO, SP, 3 de julho (Folhapress) - Em telefonema ao colega boliviano, David Choquehuanca, na tarde de hoje, o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, condenou a "atitude arrogante" dos países europeus que bloquearam o espaço aéreo para o avião do presidente boliviano, Evo Morales, na noite de ontem. Após mais de 15 horas de silêncio do governo brasileiro -período em que os presidentes da Argentina, Venezuela, Equador e Uruguai se manifestaram de forma bastante dura-, o Twitter do Itamaraty publicou que Patriota expressou seu "repúdio" e ficou surpreso com a não autorização de sobrevoo, por não estar em consonância "com práticas internacionais consagradas". O chanceler brasileiro, que está em Haia, coordenou com a homóloga peruana, Eda Rivas, uma reunião extraordinária da Unasul sobre o tema. O encontro ocorrerá amanhã, em Lima, mas será entre ministros -e não chefes de Estado, como solicitado pelo presidente do Equador, Rafael Correa. Patriota será representado pelo secretário-geral do Itamaraty, Eduardo dos Santos. Segundo o governo boliviano, o avião presidencial foi obrigado a aterrissar na Áustria porque países como Portugal e França não deram permissão de entrada. O jato seguia de Moscou para La Paz. O governo boliviano afirma que a proibição foi feita porque os países suspeitavam de que estava a bordo Edward Snowden, que revelou o esquema de monitoramento telefônico e on-line feito pelo governo americano. A Unasul emitiu uma nota em que condena a "atitude perigosa" assumida pelos europeus ao cancelar a permissão de sobrevoo. "A Secretaria-Geral da Unasul considera estranho que isso aconteça num momento em que todos os governos da União Europeia manifestaram preocupação com o alcance do programa de espionagem conduzido pelo governo dos EUA sobre sua população", diz a nota. Humilhantes Em seu Twitter, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, considerou humilhantes as restrições de voo a Morales. "Definitivamente todos estão loucos. Um chefe de Estado e seu avião têm imunidade total. Não pode haver esse grau de impunidade", afirmou, em sua conta no Twitter. Ela disse ter conversado por telefone com Evo -a quem ofereceu assistência legal- e com os presidentes do Uruguai, José (Pepe) Mujica, e do Equador, Rafael Correa. "[Pepe] está indignado. Tem razão. Isso é tudo muito humilhante", disse Cristina. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que esteve com Evo em Moscou, ratificou sua "solidariedade" e disse que, da Venezuela, seu governo "responderá com dignidade a essa agressão perigosa, desproporcionada e inaceitável". "Estou em contato com Evo, violaram todas as imunidades internacionais que protegem os chefes de Estado por causa da obsessão imperial", disse Maduro em sua conta do Twitter. Correa, também em seu Twitter, classificou a situação como "extremamente grave" e acusou os países europeus de "pisotearem o Direito Internacional". "Horas decisivas para a Unasul: ou nos reafirmamos como colônias ou reivindicamos nossa independência, soberania e dignidade. Somos todos Bolívia!" A chancelaria cubana emitiu um comunicado em que condenou o incidente. "Isso constitui um ato inaceitável, infundado e arbitrário, que ofende a todos os latino-americanos e caribenhos".  

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