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Acusada de racismo, líder da extrema-direita da França perde imunidade

Da Redação ·

SÃO PAULO, SP, 2 de julho (Folhapress) - O Parlamento Europeu suspendeu hoje a imunidade da líder da extrema-direita francesa Marine Le Pen, que é acusada pela Justiça de seu país por racismo. A denúncia é referente a uma declaração em que compara os muçulmanos aos nazistas. A frase foi pronunciada em 2010, durante discurso em evento de seu partido, a Frente Nacional, em que comparou o crescimento do número de muçulmanos na França à ocupação francesa na Segunda Guerra Mundial. "É como uma ocupação de pedaços do território, dos bairros em que se aplica a lei religiosa. Claro que não há tanques, mas em todo caso é uma ocupação." Devido às declarações, ela é processada por incitação ao ódio racial pela Justiça de Lyon, que entrou com pedido para dar fim à imunidade parlamentar, a fim de que seu caso seja avaliado por um tribunal comum. Se condenada, pode ser obrigada a cumprir um ano de prisão e pagar multa de até 45 mil euros (R$ 130 mil). Logo após a decisão, Le Pen disse que a perda da imunidade é uma medalha entregue por seus adversários políticos. "Esse Parlamento só levanta a imunidade de seus adversários políticos e é uma espécie de medalha que levo no meu blazer. Os primeiros que dizem a verdade sempre são fuzilados", afirmou. Em comunicado, a Frente Nacional considerou a decisão "o reflexo do crescente temor da oligarquia com o irresistível auge de um movimento patriota que ostenta a palavra do povo e propõe soluções reais aos problemas dos franceses". Marine Le Pen recebeu 19% dos votos e ficou em terceiro lugar na última eleição presidencial francesa, no ano passado, vencida por François Hollande. O resultado foi repetido no pleito parlamentar, meses depois. Seu partido é um forte crítico do crescimento da imigração na França, em especial dos muçulmanos. A agremiação encara o julgamento popular de Marine Le Pen como uma forma de aumentar a popularidade de suas ideias e tentar diminuir a influência do Partido Socialista, de Hollande e do direitista União do Movimento Popular (UMP, em francês), do ex-presidente Nicolas Sarkozy.  

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