Geral

Candidato britânico pode romper tradição bipartidária

Da Redação ·

Em 15 de abril, quando foi feito o primeiro debate na TV entre os candidatos ao cargo de primeiro-ministro da Grã-Bretanha, o atual premiê e líder do Partido Trabalhista, Gordon Brown, repetiu nada menos de sete vezes uma expressão, diante de 9,9 milhões de expectadores: "Eu concordo com Nick." Para manter-se no poder após 13 anos de sucessivos governos, os trabalhistas terão de transformar o que foi um ato falho político em um mantra. Isso porque, com a ascensão nas pesquisas do candidato do Partido Liberal, Nick Clegg, os trabalhistas já pensam em um governo de coalizão após a votação do dia 6.

continua após publicidade

A possibilidade foi levantada nesta semana em Londres, quando Clegg, de 43 anos, conseguiu chegar ao segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, depois de uma atuação impecável nos dois primeiros debates da campanha. O desempenho ascendente daquele que é chamado de "Obama britânico" pelos mais eufóricos, porém, está longe de garantir uma maioria a seu partido no Parlamento, onde é escolhido o primeiro-ministro. Isso ocorre porque, pelo sistema distrital britânico, os deputados não são eleitos por proporção de votos do partido, mas por sua votação em cada circunscrição. Assim, o Legislativo é formado por uma colcha de interesses regionais, que não necessariamente espelha a soma de votos em todo o país.

continua após publicidade

Desde 1974, o líder de uma minoria não é escolhido primeiro-ministro. Com base na média das últimas pesquisas, que davam a liderança ao conservador David Cameron, com cerca de 32% das intenções de voto, seguido de perto por Clegg e Brown, o instituto YouGov estimou que os trabalhistas devem conseguir 250 cadeiras no Parlamento, os conservadores, 240, e os liberais 130 - mesmo com o bom desempenho de Clegg. Se essa configuração se confirmar, nenhum dos partidos obterá a maioria de 326 cadeiras. Restarão, então, duas alternativas: a formação de um governo de minoria conservadora no Parlamento, que seria frágil, ou um governo de coalizão. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.