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Manifestantes completam 72 horas na Câmara de Santa Maria

Da Redação ·





Por Wilhan Santin

SÃO PAULO, SP, 28 de junho (Folhapress) - Um grupo de aproximadamente 300 manifestantes completou 72 horas de ocupação da Câmara Municipal de Santa Maria na tarde de hoje e afirma que não cogita deixar o local.

Eles já passaram três noites no plenário depois de protestarem durante a sessão que ocorreu às 17h da última terça-feira. Para dormir, há um revezamento entre os manifestantes. Alguns vão para casa e outros utilizam cadeiras ou o chão da Câmara.

Moradores de Santa Maria fazem doações de alimentos para os manifestantes. Na noite de ontem, teve arroz carreteiro para o jantar. "Tem comida para um ano aqui", disse uma funcionária da Câmara à reportagem, por telefone.

O grupo exige a exoneração do procurador jurídico da Câmara, Robson Zinn, e a renúncia dos três vereadores que integram a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) instaurada na Câmara para apurar as responsabilidades da tragédia ocorrida em 27 de janeiro na boate Kiss: Maria de Lourdes Castro (PMDB), Doutor Tavores (DEM) e Sandra Rebelato (PP).

O incêndio ocorrido na boate Kiss provocou 242 mortes. Segundo Adherbal Ferreira, 49 anos, presidente da Associação de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria, os manifestantes só sairão depois que o presidente da Câmara, Marcelo Bisogno (PDT), der uma resposta positiva para as reivindicações do grupo.

"Estamos aguardando uma reunião com ele, que nunca acontece. Por telefone, ele nos diz que está analisando, mas não dá uma resposta. Sei que depende de partido político e de outras pessoas. Para ser sincero, estou com nojo da política", reclamou Ferreira. Ele perdeu uma filha, de 22 anos, na tragédia.

Os manifestantes não concordam com a composição da CPI. Uma gravação de áudio feita em abril durante uma sessão da CPI é o motivo da revolta. Na conversa, vereadores e assessores teriam comentado que a investigação "não daria em nada". O Ministério Público investiga o caso.

Por meio da assessoria da Câmara, Bisogno disse que só analisará os pedidos dos manifestantes depois que eles saírem da Câmara. Por enquanto, ele não cogita pedir reintegração de posse na Justiça.
 

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