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Partidários de Ortega atacam Parlamento nicaraguense

Da Redação ·
  Homem dispara morteiro em frente ao Parlamento
fonte: Mario Lopez - EFE
Homem dispara morteiro em frente ao Parlamento
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Partidários do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, quebraram vidraças da sede do Parlamento nesta quinta-feira, 22, enquanto, em seu interior, os trabalhos legislativos eram retomados após dois dias consecutivos de distúrbios em Manágua.  Os deputados trabalham para aprovar três convênios de empréstimos de US$ 48 milhões, eu uma sessão guardada por um forte dispositivo de segurança.

Encapuzados e vestidos de uniformes militares, os simpatizantes do governante sandinista lançaram pedras e morteiros no edifício ao ritmo de música e se retiraram do local uma hora e meia depois do término da sessão plenária.

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Os seguidores de Ortega, que iniciaram seus violentos protestos na terça-feira para obrigar os opositores a retomar as atividades legislativas, interrompidas desde 25 de fevereiro, lançaram os artefatos explosivos para comemorar o reinício das sessões plenárias sob o grito de ordem "Nenhum passo atrás".

As atividades parlamentares foram reiniciadas depois que o presidente do Congresso convocou hoje diretores e deputados do Parlamento a retomarem seus trabalhos, com proteção policial, depois de dois dias de violentos distúrbios em Manágua.

"O dia de hoje foi uma vitória do povo. Os obrigaram a se sentarem, mas eles têm que continuar atentos e vigilantes, não temos que confiar nem um pouquinho", disse o coordenador do grupo parlamentar sandinista, Edwin Castro, após concluir a sessão parlamentar.

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O titular do Legislativo René Núñez disse hoje que conversou com a direção da Polícia Nacional para que, sem menosprezar o direito das pessoas de se manifestar, seja garantido o livre acesso de deputados e jornalistas à sede da Assembleia, que nos últimos dois dias esteve bloqueada por seguidores de Ortega.

Os deputados da oposição ingressaram no prédio protegidos por dezenas de policiais que montaram guarda dentro e fora do edifício. Ao final da sessão, os parlamentares saíram por uma porta alternativa, sempre sob proteção policial.

Em coletiva de imprensa, Núñez chamou os deputados oposicionistas de "irresponsáveis" por manterem uma paralisação de três meses no Congresso, o que, segundo ele, "desatou a ira justa do povo da Nicarágua, que se manifestou nas ruas com paciência, e outras vezes com violência".

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A deputada sandinista Alba Palacios declarou a jornalistas que o trabalho legislativo "continuará normalmente sempre e quando não se incluírem temas políticos, ilegais ou inconstitucionais que nada têm a ver com a agenda legislativa".

A parlamentar governista pressionou os deputados oposicionistas para darem prioridade à aprovação de projetos de leis sociais, econômicas, ambientais, trabalhistas e a favor das mulheres, que estão pendentes de debate no organismo legislativo.

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Ontem, ao menos quatro veículos foram queimados durante as manifestações, enquanto dois jornalistas denunciaram agressões e 54 oposicionistas foram mantidos presos por várias horas em uma sede de um movimento político sandinista.

A Nicarágua está imersa em uma crise institucional devido ao conflito entre o Governo e a oposição desde janeiro, quando Ortega aprovou um polêmico decreto para prorrogar o mandato de funcionários de vários poderes do Estado, apesar de medidas como essa serem competência do Legislativo.

Disparos

A sede do Partido Liberal Constitucionalista, opositor ao governo, "foi atacada" com armas de fogo por manifestantes sandinistas sem que houvesse vítimas nem danos, informou a coligação.

O local, onde se encontravam deputados, dirigentes e empregados, "foi atacado por turbas sandinistas que dispararam armas de fogo de um ônibus", segundo uma nota de imprensa do partido.

O incidente ocorreu ao meio-dia, quando os sandinistas passavam em frente ao local, no oeste de Manágua.