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FBI inicia investigação penal contra delator de espionagem

Da Redação ·
Teve início uma investigação penal contra Edward Snowden, o delator dos programas de monitoramento dos serviços de inteligência dos Estados Unidos
fonte: Agências
Teve início uma investigação penal contra Edward Snowden, o delator dos programas de monitoramento dos serviços de inteligência dos Estados Unidos

SÃO PAULO, SP, 13 de junho (Folhapress) - O diretor do FBI (polícia federal americana), Robert Mueller, confirmou hoje que teve início uma investigação penal contra Edward Snowden, o delator dos programas de monitoramento dos serviços de inteligência dos Estados Unidos.

"[Ele] é alvo de uma investigação penal em andamento. Esses vazamentos causaram danos importantes ao nosso país e a nossa segurança. Tomamos todas as medidas necessárias para que esta pessoa seja responsabilizada por estes vazamentos", declarou Mueller em uma audiência na Câmara de Representantes.

Snowden, que era funcionário de uma empresa que prestava serviços para a Agência de Segurança Nacional (NSA), se encontra atualmente em Hong Kong.

A declaração de Mueller é a primeira confirmação de que o governo americano está investigando Snowden, um especialista em informática de 29 anos que confessou ter vazado informações sobre os programas de espionagem.

A NSA, cujo material foi divulgado por Snowden, é uma das organizações mais sigilosas do mundo. De acordo com as informações apresentadas pelo delator, a agência monitorou os registros de ligações de milhões de telefones da Verizon, segunda maior companhia telefônica dos EUA.

Também foram verificados dados de usuários de internet de todo o mundo em empresas de internet como Google, Facebook, Microsoft e Apple. O escândalo causou críticas ao presidente Barack Obama, que combateu a espionagem feita pelas agências quando fazia oposição ao republicano George W. Bush.

Mueller disse que os programas de monitoramento dos registros telefônicos e de comunicações pela internet foram aprovados por um juiz e que são conformes à Constituição.

Em seu depoimento, ele disse ainda que o governo estava determinado a garantir o direito à privacidade e às liberdades civis, mesmo que continue empenhado em prevenir possíveis ataques terroristas contra os Estados Unidos.

Edward Snowden ainda não foi acusado por nenhum crime. Na segunda (10), a Casa Branca informou que ele seria processado pelo Departamento de Justiça americano, mas não disse se ele seria extraditado. No mesmo dia, o ex-técnico da CIA saiu do hotel onde estava hospedado em Hong Kong.

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Extradição

Snowden viajou para a Hong Kong no fim de maio, à espera da revelação do escândalo. Durante a entrevista ao jornal "South China Morning Post", publicada nesta quarta-feira (12), ele disse que não está na cidade para se esconder da justiça. "Estou aqui para revelar a criminalidade".

"Minha intenção é pedir que os tribunais e a população de Hong Kong decidam meu destino. Acho razoável ser processado, desde que eu tenha garantido o direito de um julgamento e de apelação".

EUA e Hong Kong têm um tratado de extradição, pelo qual se comprometem a trocar fugitivos de crimes comuns, mas podem recusar casos políticos. O texto prevê possibilidade de veto da China.

Durante a entrevista, o agente diz que confia na Justiça de Hong Kong, que tem a tradição de acolher vítimas de perseguição política, e revelou sua intenção de ficar "até que seja convidado a se retirar".

"Tive várias oportunidades de sair daqui, mas vou ficar e lutar contra o governo americano nos tribunais, porque tenho confiança na justiça".