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Manifestantes são expulsos de evento com Haddad e ministros

Da Redação ·





Por Diógenes Campanha

SÃO PAULO, SP, 28 de maio (Folhapress) - Dez manifestantes foram expulsos de um evento após protestarem contra o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), pelo aumento da tarifa de ônibus na capital paulista.

Na tarde de hoje, o petista participou, em uma unidade do Senai no Brás (região central), de um ato de adesão da cidade à Política Nacional para População em Situação de Rua. No palco, além de Haddad, estavam os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) e Maria do Rosário (Direitos Humanos).

Quando o secretário de Direitos Humanos da capital, Rogério Sottili, citou o nome do prefeito, os manifestantes levantaram-se na plateia gritando "Haddad mercenário, o busão tá muito caro!".

Também foram erguidas faixas com símbolos anarquistas e os dizeres "Sr. Haddad, se a passagem não aumentar, você vai ter que procurar outro emprego" e "R$ 3,40 de condução precária? Não aceito". Também houve gritos de "Haddad mafioso".

A tarifa de ônibus em São Paulo será reajustada de R$ 3,00 para R$ 3,20.

Durante o protesto, o restante do público começou a gritar para que os manifestantes deixassem o evento. O coordenador do Movimento Nacional da População de Rua, Anderson Lopes Miranda, pegou o microfone: "Esse é um evento da população de rua. O ato é para o prefeito e seus ministros, então pedimos que vocês se retirem, por favor".

Seguranças retiraram os manifestantes. Apesar de atuar na Pastoral do Povo da Rua, o padre Julio Lancellotti reclamou contra a "truculência" da expulsão. "Essas pessoas também são gente", disse o sacerdote.

Os manifestantes disseram que não sofreram agressões e não quiseram se identificar. Em momentos diferentes, afirmaram ser punks, anarquistas, estudantes e de um "movimento libertário".

Após a retirada do grupo, as autoridades presentes elogiaram os moradores de rua por terem pedido a expulsão.

"Vocês deram uma demonstração fantástica de força e consciência. Hoje a festa é de vocês", disse a secretária municipal de Assistência Social, Luciana Temer.

O ministro Gilberto Carvalho disse a Haddad que ele deveria ficar feliz pela atitude da população de rua. "Essa defesa que eles fizeram de você contra os coitados que queriam protestar só mostram que esses são nossos grandes aliados, e é assim que tem que ser", afirmou.
 

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