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Após 26 anos, uma estrada histórica renasce em Apucarana

Da Redação ·
 Beto Preto e  Pedrinho Berezóski
fonte: divulgação
Beto Preto e Pedrinho Berezóski

“Meu pai, o professor pioneiro André Berezóski morreu e, infelizmente, não teve a felicidade de ver, enfim, nossa estrada recuperada depois de 26 anos de espera”. O depoimento, dado nesta semana, é do agricultor Pedrinho Berezóski, ao comemorar a conclusão da readequação da “estrada Berezóski”, que tem como referência o nome do professor Berezóski que, no ano de 1940 – quando Apucarana era distrito de Londrina -, já lecionava nesta região rural, colonizada por famílias ucranianas.

Ao vistoriar a fase final dos serviços, na quinta-feira, o agricultor surpreendeu o prefeito Beto Preto e o secretário da Agricultura, João Carmo da Fonseca, ao apresentar um documento amarelado pelo tempo e acondicionado numa pasta plástica. “Essa é uma indicação aprovada por unanimidade na Câmara Municipal de Apucarana, de autoria do finado vereador Pedro Lambari, no ano de 1987, e que apontava a precariedade e pedia a urgente readequação da estrada”, contou Pedrinho Berezóski, acrescentando que, “nas últimas décadas os produtores rurais dessa região sofreram muitas dificuldades, devido às péssimas condições da estrada”.

A obra foi entregue na sexta-feira (24) pela Secretaria Municipal da Agricultura, que recorreu a parcerias com alguns dos 72 agricultores radicados na Gleba Nova Ucrânia, visando obter a piçarra necessária para compactar o leito da estrada. A via, de cerca de 7 quilômetros, interliga o contorno sul - no acesso ao aterro sanitário -, até a igreja do KM 28, junto à estrada Apucarana-Rio Bom.

Para o prefeito Beto Preto os serviços só foram viabilizados com apoio dos agricultores da região e, principalmente, pelo esforço dos funcionários de carreira da prefeitura. “Os nossos operários demonstraram muita dedicação, se desdobrando para dar conta do serviço e enfrentando constantes problemas com um equipamento sucateado”, enalteceu Beto Preto. Ele acrescentou que a principal máquina da patrulha mecanizada é uma moto-niveladora Huber-160, ano 1969, portanto com 45 anos de uso.

Para se ter uma idéia do atraso de Apucarana neste setor, o prefeito Beto Preto fez um comparativo com o vizinho município de Novo Itacolomi. “Lá são cerca de 3 mil habitantes, 250 km de estradas rurais e quatro pás-carregadeiras (duas novas), sendo que o equipamento não é suficiente para atender a demanda de serviços. Já em Apucarana são 125 mil habitantes e 580 km de estradas vicinais, com as mesmas quatro pás-carregadeiras, só que com muitos anos de uso”, explica o prefeito, emendando que, “assim fica difícil e será preciso investimentos para, gradativamente, recompor o parque de máquinas”.

PRODUÇÃO - A região do Barra Nova concentra 72 produtores rurais que cultivam café, soja, trigo e milho. Também existem empreendimentos de avicultura, pecuária de leite e de corte, além de fruticultura e floricultura. “Depois de 26 anos de espera pela readequação da estrada ficamos sem esperança e indignados com as promessas; mas agora, em apenas cinco meses, o prefeito Beto Preto executou a obra e estamos muito contentes”, relata o agricultor Pedrinho Berezóski. “Vamos preparar um porco no tacho, numa festa de agradecimento e confraternização com os operários da prefeitura”, anuncia ele.

De sua parte o prefeito Beto Preto, disse que também se indignou com o abandono dos agricultores do Barra Nova. “Essa é uma obrigação do poder público e vamos nos esforçar para atender todas as regiões”, anunciou.


“Dependendo do clima, só passava a cavalo”, diz agricultor

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Nas últimas décadas, a estrada Berezóski se transformou num carreador, com barrancos muito elevados, de até três metros de altura, onde as águas pluviais escorriam pelo leito, causando erosões e até assoreamento do Ribeirão Barra Nova. Pela via, agricultores só transitavam a cavalo, de trator ou, em alguns trechos, com veículos dotados de tração 4x4 e marcha reduzida.  

O produtor rural Adriano de Quadros Cunha, do sítio São José, relata que a estrada era tão ruim que, em alguns trechos, só era possível passar a cavalo. “Aqui na região tem gente que foi embora, por que já estava em idade avançada e não conseguia se deslocar para a cidade em busca de assistência médica”, lembra o agricultor. “Estou a 11 anos na região e posso garantir que, neste período, nunca houve serviços de manutenção na estrada”, frisa ele.  

O secretário da Agricultura, João Carmo da Fonseca, informa que o serviço teve duração de 20 dias, com mão de obra própria dos operários municipais e de uma patrulha mecanizada, composta de uma moto-niveladora, duas pás-carregadeiras, uma retro-escavadeira e cinco caminhões basculantes.

Os serviços de readequação executados incluíram o levantamento do leito da via, a aplicação e compactação de cascalho (piçarra), com taludes (nivelamento com desníveis laterais, para escoamento de água) e “bigodes” (curvas de nível com barreiras, visando a contenção de águas pluviais).