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"Nivelar os sexos como se faz hoje é idiota", diz diretor

Da Redação ·





Por Rodrigo Salem, Enviado especial

CANNES, FRANÇA, 25 de maio (Folhapress) - "Nivelar os sexos como se faz hoje é idiota. Oferecer flores para uma mulher tornou-se algo indecente. A pílula masculinizou as mulheres."

Roman Polanski, 79, não segurou a língua em sua primeira entrevista para a imprensa em Cannes, hoje, para falar de "La Vénus à la Fourrure" ("Vênus em Casaco de Pele"), filme que encerrou a competição do festival.

Utilizando a adaptação da peça de David Ives do livro homônimo do austríaco Leopold von Sacher-Masoch (1836-1895) para falar sobre dominação entre os sexos, mas também sobre as idiossincrasias do mundo da dramaturgia, Polanski segue a linha teatral de "Deus da Carnificina" e a radicaliza.

"La Vénus à la Fourrure" é protagonizado apenas por dois personagens, no caso a mulher do diretor, Emmanuelle Seigner como Vanda, uma atriz querendo desesperadamente um papel, e Mathieu Amalric, o diretor da peça.

"Meu primeiro filme, "Faca na Água" (1962) só tinha três personagens. Desde então, tenho o sonho de fazer um projeto com apenas dois atores. Era um desafio que tinha em minha mente, mas acabou sendo simples, rápido e divertido", contou o diretor de "Bebê de Rosemary" (1968) e "Chinatown" (1974), que não pensa em voltar a fazer esses tipos de filmes. "Há tantos outros projetos equivalentes por aí. Eles só não cruzaram meu caminho", disse Polanski.

Todo filmado em um teatro "restaurado" para a produção, o drama brinca com um temas comuns à filmografia de Polanski, como os limites entre comédia e drama ("A Dança dos Vampiros"), mulheres fortes ("Tess - Uma Lição de Vida") e a dominação da mulher sobre o homem ("Lua de Fel")

"Eu entendo que vejam referências de meus outros filmes neste, mas vejo algo diferente. Aqui, o sexo e a paródia são a grande atração", falou ele.
 

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