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Sobrenome Nardoni constrange anônimos

Da Redação ·
 Alexandre Nardoni
fonte: Google
Alexandre Nardoni

Na última semana, o nome Nardoni dominou os noticiários brasileiros e afetou a rotina de dezenas de pessoas que têm o mesmo sobrenome do pai de Isabella, condenado pela morte da menina de cinco anos, em 2008.

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Esses “Nardonis”, que não têm relação alguma com a família de Alexandre e não o conhecem pessoalmente, já estão se acostumando a responder à pergunta: “Você é parente do Alexandre Nardoni?”.

É o caso da italiana, Amélia Nardoni Giaffredo, 78, que mora no Brasil há 56 anos e se surpreendeu ao ver o sobrenome ser repetido em todos os jornais do país. Segundo ela, o sobrenome não é muito comum na Itália, e ela imaginava que aqui também não seria. Mas basta fazer uma busca na lista telefônica para descobrir que muitos brasileiros dividem o sobrenome com Alexandre. Um dos principais sites de busca telefônica do país indica 77 Nardoni se 36 Nardones.

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Simone Nardone, por exemplo, repete o mesmo sempre que se apresenta. Ela explica que o sobrenome é apenas parecido, já que o nome do Nardoni que foi julgado termina com “i”, e ela e sua família têm sobrenome Nardone, com “e” no final. Mesmo assim, sempre há alguém os confundindo.

- Agora quando me apresento ou assino alguma coisa, já digo logo, antes de perguntarem: Olha o nome é parecido, mas não tenho nada a ver com eles [Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá], conta Simone.

Ela lembra que em 2008, quando o crime aconteceu, alguns repórteres de redes de TV e até a polícia ligaram para ela para saber se ela tinha relação com Alexandre. Isso porque além do nome, Simone convive com outra coincidência: ela mora em Guarulhos, mesma cidade em que a família de Anna Jatobá vive.

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Filomena Gostamaque Nardone também é incisiva ao responder se tem alguma ligação com Alexandre Nardoni: “Graças a Deus não”, diz a senhora italiana. Filomena lamenta que o nome tenha saído do anonimato dessa forma. ”Fico triste porque o sobrenome ficou famoso no Brasil por causa desse caso horrível”.

É, aliás, do anonimato que Giuseppe Nardone, 40, sente mais falta. Ultimamente o que ele mais ouve é a pergunta “Você é parente dos Nardonis?”. Sem graça e um pouco incomodado ele responde que não.

- É chato, todo o lugar que eu vou todo mundo que descobre meu nome me pergunta. Mas é inevitável, as pessoas ficam curiosas. O banco é um lugar onde sempre, sempre perguntam.

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Em 2009, quando pouco se falou sobre o caso, Giuseppe conseguiu desfrutar novamente do anonimato de seu sobrenome. Agora, com o julgamento, as perguntas, brincadeiras e incertezas voltaram.

- Ano passado, depois que passou tudo, tinham parado de perguntar. As pessoas tinham esquecido, mas agora com o julgamento voltou tudo e ainda está ainda pior. Na verdade isso me incomoda um pouco, atrapalha, mas fazer o quê?

Para a família de Alexandre Nardoni, a preocupação tem sido poupar os dois filhos pequenos dele com Anna Carolina Jatobá. Durante o julgamento, a defesa do casal informou que as duas crianças são identificadas na escola sem os sobrenomes mais conhecidos do pai e da mãe.

Após cinco dias de julgamento, um júri popular condenou neste sábado (27) o casal por homicídio. O juiz estabeleceu a pena de Nardoni em 31 anos, um mês e dez dias de prisão, e a de Anna Carolina em 26 anos e oito meses. Ambos negam ter matado Isabella e a defesa já recorreu da decisão.