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Diretora do FMI não será investigada por suposto favorecimento

Da Redação ·





SÃO PAULO, SP, 24 de maio (Folhapress) - A Justiça francesa decidiu hoje que não irá investigar formalmente a diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Christine Lagarde, num caso de possível favorecimento a um empresário quando era ministra das Finanças do país (2007-2011). O passo corresponde ao indiciamento no Brasil.

Lagarde é a ser considerada "testemunha supervisionada" no caso.

"Minha explicações responderam às questões sobre as decisões que tomei naquela época", disse Lagarde na saída do tribunal.

A decisão foi tomada depois após dois dias de depoimento de Lagarde à corte --no de ontem, foram quase 13 horas de sessão.

A suspeita é de que o acordo feito pelo governo francês para o pagamento de US$ 366 milhões (R$ 746 milhões) ao empresário Bernard Tapie --que fora arbitrado pela então ministra Lagarde-- tenha sido lesivo ao Estado, com possível desvio de fundos.

Lagarde, que não é acusada de obter vantagem pessoal no caso, nega ter agido incorretamente ao optar pela arbitragem --e não o processo nos tribunais ordinários-- para encerrar o caso entre o Estado e Tapie. Em março, seu apartamento em Paris foi revistado pela polícia francesa, que recolheu documentos e outros dados sobre o processo.

Tapie recebeu a quantia depois de ter decidido, em 1993, processar o Estado por se considerar lesado na venda de sua participação na empresa de material esportivo Adidas ao banco Crédit Lyonnais, então estatal. Segundo ele, o banco revendeu suas ações por uma quantia muito maior.

O empresário, que havia sido, entre 1992 e 1993, ministro de Cidades, durante o governo do socialista François Mitterrand (1981-1995), passou a apoiar o conservador Nicolas Sarkozy (2007-2012) durante sua gestão. E foi justamente no governo Sarkozy que ocorreu o acordo.

O advogado de Lagarde, Yves Repiquet, disse que sua cliente somente aprovou o uso de um procedimento arbitral que havia sido decidido pela holding estatal Consortium de Realisation --criado para assumir dívidas e ônus do Crédit Lyonnais quando o banco enfrentou dificuldades, no começo da década de 1990.

Segundo a imprensa francesa, nos dois dias de julgamento, Lagarde apresentou documentos que supostamente provam o aconselhamento recebido pela então ministra de diversos escritórios de advocacia aconselhando a arbitragem -apesar da oposição dos técnicos de seu ministério. Ela sustenta ainda que não recebeu pressão do presidente Sarkozy para optar por essa solução.

Primeira mulher a dirigir o FMI, Lagarde assumiu o cargo em 2011, depois da renúncia do também francês Dominique Strauss-Kahn, envolvido em um escândalo sexual.

Ele deixou o fundo após protagonizar um escândalo sexual com uma camareira em um hotel de Nova York, que o acusava de tentativa de estupro. A mulher, depois, retirou as acusações.

 

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