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Soldado morto em Londres serviu no Afeganistão

Da Redação ·

SÃO PAULO, SP, 23 de maio (Folhapress) - O Ministério da Defesa do Reino Unido anunciou hoje que o soldado morto no ataque de Londres se chamava Drummer Lee Rigby, 25. Pertencente ao 2º Batalhão do Regimento de Fuzileiros, ele nasceu em Manchester e tinha um filho de dois anos. Em nota, o órgão informou que o jovem militar entrou no Exército em 2006 e teve sucesso em seu curso de treinamento de infantaria, que terminou na base de Dhekelia, em Chipre. Três anos depois, foi enviado a Helmand, no sul do Afeganistão, para fazer parte da base de patrulha de Woqab. Ele participou de diversas celebrações públicas e eventos militares no Reino Unido como membro do Corpo de Baterias do Exército britânico. Em 2011, foi chamado para participar do Regimento da Torre de Londres. No mesmo ano, nasceu seu filho Jack, que hoje tem dois anos. Segundo a polícia, Rigby foi morto por dois homens com o uso de um cutelo a 300 metros do quartel de Woolwich, no sudeste de Londres, na tarde de quarta-feira. Os suspeitos foram baleados após perseguição policial e encaminhados para hospitais de Londres. Com eles, foram encontradas armas brancas e uma arma de fogo. A suspeita de que a ação era um ataque terrorista fez com que o primeiro-ministro David Cameron convocasse duas reuniões do chamado comitê Cobra, que trata de questões de segurança nacional. Mais cedo, fontes do governo britânico afirmaram que os dois supostos autores são homens de origem nigeriana que se converteram ao islamismo. Um deles foi identificado como Michael Adebolajo, 28, que é suspeito de associação a um grupo proibido. Os investigadores consultados pela emissora de televisão BBC e a agência de notícias Associated Press dizem que eles foram alvo de diversas investigações nos últimos anos, mas não havia indicações de que eles fossem planejar um ataque. Um deles chegou a ser interceptado ao sair do país no ano passado. A imprensa britânica afirma que Adebolajo é quem aparece no vídeo exibido pelo canal britânico ITV, em que um homem que reivindica o ataque aparece carregando armas e com as mãos cobertas de sangue. Segundo o jornal britânico "Guardian", o suspeito se converteu ao islamismo em 2003, após deixar a faculdade. Na época, ele mudou seu nome para Mujaahid, que quer dizer em árabe "envolvido na guerra santa". Ele foi investigado por suposta ligação com o grupo extremista islâmico Al Muhajiroun. A organização foi banida do Reino Unido após os atentados terroristas contra o metrô e um ônibus de Londres, em 7 de julho de 2005. Os grupos sucessores a ele também foram banidos, incluindo um que ameaçou um ataque à cidade militar de Royal Wootton Bassett, a 140 km de Londres, em protesto contra a proibição. O líder do grupo islâmico, Anjem Choudary, disse que conheceu Adebolajo e que ele frequentava as reuniões da organização entre 2005 e 2011. Ele disse ter se surpreendido com o ataque, embora considere que existe um "convênio de segurança" entre os islâmicos e os britânicos para evitar a violência no Reino Unido. "Eu não incentivaria ninguém a fazer isso. Não penso que um ataque como esses ajude a condenar ou perdoar. Eu condeno as centenas de milhares de pessoas sacrificadas por causa da política externa do Reino Unido e dos Estados Unidos".  

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