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Mais 4 são presos em investigação sobre adulteração de leite

Da Redação ·





SÃO PAULO, SP, 22 de maio (Folhapress) - Quatro pessoas foram presas desde a noite de hoje no Rio Grande do Sul em um desdobramento das investigações do Ministério Público sobre adulteração de leite in natura no Estado.

As prisões apontam para a existência de núcleos independentes de fraudes em mais dois municípios do interior gaúcho: Rondinha e Boa Vista do Buricá, que se somam a Horizontina, Guaporé e Ibirubá, revelados na primeira fase da operação, deflagrada no último dia 8.

Segundo a Promotoria, os problemas não se davam na produção, mas na fase de transporte. Empresas gaúchas de transporte de leite adulteravam o leite cru entregue para a indústria.

Uma das formas de adulteração se dava pela adição de substância semelhante à ureia e que possui formol em sua composição. Com isso, os transportadores elevavam o aumento de leite transportado, e, consequentemente, os lucros - em até 10% a mais que os 7% já pagos pela indústria sobre o preço do leite cru, em média R$ 0,95 por litro.

Na operação de hoje, dois empresários do transporte de leite e um funcionário foram detidos em Rondinha. Em Horizontina, um empresário e vereador foi preso na noite de ontem - a Promotoria diz ter indícios de que ele planejava deixar o país.

Um transportador de Boa Vista do Buricá teve o pedido de prisão negado pela Justiça - com ele foi encontrada uma anotação com a suposta fórmula usada para adulteração do leite.

Houve ainda apreensão de quatro caminhões utilizados para transporte de leite, de notas fiscais que comprovariam a compra de ureia e de planilhas com dados do suposto esquema.

Apenas na cidade de Rondinha, laudos produzidos entre fevereiro e março deste ano pelo Ministério da Agricultura, que participa da operação com a Promotoria gaúcha, confirmaram a presença de formol no leite cru, somando 113 mil litros impróprios para consumo da população.

Todo o produto tinha como destino a Confepar, uma união de cooperativas agropecuárias do norte do Paraná, que também será investigada.

Segundo o promotor Mauro Rockenbach, não há condições de levantar a quantidade de leite adulterado consumido pela população.

A adulteração do leite é enquadrada como crime de falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produtos alimentícios, que prevê pena de quatro a oito anos de prisão.

A adição de água para aumentar o volume do leite gera perda nutricional, compensada pela adição da ureia - produto que contém formol na composição e é considerado cancerígeno.

A fraude, diz a Promotoria, foi comprovada através de análises químicas do leite cru, onde foi possível identificar presença de formol, que persiste no produto final mesmo após os processos de pasteurização.
 

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