Geral

Rebeldes pedem reforço para combater Hizbullah

Da Redação ·





SÃO PAULO, SP, 22 de maio (Folhapress) - Os combates entre o regime sírio e insurgentes em Quseir, cidade na fronteira com o Líbano, chegam hoje a seu quarto dia consecutivo. Enquanto tropas de Bashar al-Assad bombardeiam a região, líderes rebeldes pedem reforço para não perder território.

Segundo os opositores, a ofensiva do regime contra a cidade começou no último domingo, quando tropas do regime e milicianos do Hizbullah invadiram a região, controlada pelos rebeldes. Essa é uma das primeiras participações oficiais do grupo radical libanês, que apoia Assad, em dois anos de conflito na Síria.

O grupo opositor Observatório Sírio de Direitos Humanos informou que as tropas de Assad atacaram diversos pontos de Quseir, enquanto na periferia da cidade os combates se concentram em terra. Já a agência estatal Sana afirmou que o Exército frustrou a entrada de terroristas vindos do Líbano na região conflagrada.

O meio de comunicação do regime informou que vários dos terroristas, como o governo chama os rebeldes, morreram na ação. Nem o regime nem a oposição possuem números de mortos durante os combates desta quarta.

Na segunda, o Observatório Sírio de Direitos Humanos informou que 23 membros do Hizbullah haviam sido mortos por rebeldes na região. As informações não podem ser confirmadas de forma independente devido às restrições impostas pelo regime sírio à entrada de jornalistas e organizações internacionais.

Oposição

Os combates acontecem no mesmo dia em que o presidente interino da Coalizão da Oposição Síria, George Sabra, pediu reforço aos rebeldes de outras regiões para tentar retomar o controle de Quseir. Ele convocou "todas as brigadas do país" a enviar forças e armas para o combate.

Sabra também pediu a criação de um corredor humanitário para ajudar cerca de 50 mil pessoas que estão presas na cidade, que é cercada por tropas do regime, e a atuação do Conselho de Segurança da ONU para evitar o que chamou de "violação da fronteira e da soberania do país".

A ação em Quseir gerou a condenação dos Estados Unidos e levou a União Europeia a ameaçar incluir o Hizbullah na lista de organizações terroristas. O chanceler britânico, William Hague, afirmou que o grupo libanês e o Irã estão aumentando o apoio a Assad.

Para Hague, isso é motivo para marcar a conferência dos membros do Conselho de Segurança sobre Síria o mais rápido possível. Nesta quarta, o grupo de países aliados da oposição síria, conhecido como Amigos da Síria, se reúnem para preparar as bases para defender seu lado do conflito na conferência.

Turquia

A Turquia fechou nesta semana a última passagem de fronteira com a Síria controlada pelo regime de Assad, em represália ao duplo atentado que atingiu a cidade de Reyhanli há duas semanas. O local ficará fechado por um mês.

O governo turco acusou o regime sírio de envolvimento no ataque, que deixou 51 mortos e aumentou os temores de que o conflito no país árabe esteja avançando para países vizinhos. Os turcos dão apoio aberto à oposição síria.

Segundo o chefe da alfândega turca, Hayat Yazicim, o portão de Yayladagi, que fica a 90 quilômetros de Reyhanli, ficará fechado por um mês. No período, apenas cidadãos turcos que chegam da Síria ou não sírios em trânsito pela Turquia serão autorizados a atravessar.

Nenhum cidadão turco ou sírio será autorizado a atravessar para o território sírio. Yayladagi é o único passo fronteiriço com a Turquia que ainda é controlado pelas tropas de Assad. Todas as outras travessias ao longo dos 900 km de divisão entre os dois países nas mãos dos rebeldes.

O fechamento da fronteira também será uma forma de diminuir o fluxo de sírios vindos de Latakia, Província de maioria alauita, vertente do xiismo à qual pertence Assad. O portão foi inicialmente fechado um dia depois dos atentados para impedir que os responsáveis fugissem para a Síria.

A polícia turca afirma que a passagem foi usada pelos autores do atentado em Reyhanli para fugir após a ação. Desde o início das investigações sobre o ataque, a polícia turca prendeu 18 pessoas, sendo que 12 foram indiciadas.
 

continua após publicidade