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Virada soma duas mortes; veganos protestam em feira gastronômica

Da Redação ·





SÃO PAULO, SP, 19 de maio (Folhapress) - Um homem morreu após sofrer uma overdose durante a Virada Cultural no início desta manhã. O caso ocorreu por volta das 6h na região da Santa Efigênia, centro de São Paulo. Ele foi socorrido pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), de acordo com informações da Polícia Militar. Após ser levado ao pronto-socorro da Santa Casa, o homem teve uma parada cardíaca e morreu.

Também durante a Virada, Elias Martins Morais Neto, 19, morreu depois de levar um tiro na cabeça. Segundo a Polícia Civil, Elias Martins Morais Neto reagiu a um assalto na avenida Rio Branco. O pai do jovem reclamou do policiamento responsável pelo evento. "Como pode um menino vir para uma festa desse porte e ser baleado? Não tinha ninguém para revistar as pessoas e ver quem estava armado?", disse Aurelino Santana, 49, enquanto aguardava a polícia finalizar o boletim de ocorrência no 3º DP (Campos Elíseos).

Santana disse que estava em um culto religioso quando ficou sabendo da morte do filho. O jovem, que trabalhava em uma padaria em Interlagos (zona sul), tinha ido à Virada com um primo. A dupla foi abordada por outros dois homens na rua Santa Efigênia, segundo conta o primo -que não quis se identificar. Elias entregou o celular e, depois, correu atrás dos criminosos. Perseguidos, os homens passaram pela rua Aurora -via onde fica o 3º DP- e entraram na avenida Rio Branco. Um dos criminosos sacou uma arma e atirou na cabeça de Elias.

Segundo a PM, às 23h de ontem, outra pessoa ficou ferida ao levar um tiro na perna -dessa vez na avenida Ipiranga. A PM não soube informar o estado de saúde da vítima. O caso foi registrado no 2º DP (Bom Retiro).

Arrastões

Policiais militares ouvidos pela reportagem dizem que foram registrados inúmeros casos de arrastões durante a madrugada. A reportagem flagrou pelo menos três deles nas avenidas Ipiranga, Rio Branco e Duque de Caxias.

A reportagem esteve entre as 2h e 3h no 3º DP (Campos Elíseos) e constatou pelo menos 15 casos de vítimas.

Policiais militares informaram que pelo menos 15 jovens foram detidos acusados de cometer os arrastões, na maioria deles menores.

Em todos os casos, a descrição é a mesma. Grupos de aproximadamente 50 passam abordando os frequentadores da festa e, após agressões, arrancam à força celulares, carteiras, bonés e blusas.

Protesto

"Você ainda não é vegetariano?". É assim que os manifestantes da ONG vegana Veddas abordam o público que passa por eles no Chefs na Rua, feira gastronômica da Virada Cultural.

Eles protestam contra o consumo de carnes e quaisquer produtos de origem animal, como leite e ovos, em frente à barraca de Jefferson Rueda, onde é servida 1,5 tonelada de porcos. A intervenção que mais chamou atenção do público foi a que mostrava duas pessoas seminuas dentro de uma imitação de embalagem com o rótulo "carne humana".

"Aqui não é o momento nem o local para esse tipo de manifestação. Achei a cena muito forte", afirmou a auxiliar de enfermagem Maria do Carmo Quinhão, 53.

Já para o presidente da Veddas, George Guimarães, "agressivo é aquilo lá", disse a respeito dos porcos esticados sobre as churrasqueiras. "Acho agressivo pegar um animal inocente e estar lucrando com ele", afirmou.

O estudante de gastronomia Leon Saraceni, 20, não é vegano mas respeita o ponto de vista. "Acho que esse é um jeito diferente de chamar atenção".

Vinho químico

O esforço da prefeitura de combater a venda de vinho químico que ocorre ano após ano, nas últimas três edições da Virada Cultural, não surtiu efeito mais uma vez.

Vendedores ambulantes ofereciam o produto o tempo todo no centro da cidade: "Olha o vinho gelado', gritavam carregando geladeiras de isopor com gelo, garrafas de vodca e vinho químico, que tem 90% de álcool.

O vinho químico é composto por 90% de álcool misturados a corantes e áçucar.

Durante a madrugada, era impossível caminhar pelo largo do Arouche sem que, a cada dez passos, se chutasse garrafas de vinho, vodca e cerveja long neck.

Superlotação

Quem tentou deixar a Virada Cultural de metrô pela estação Luz teve de enfrentar uma longa e claustrofóbica fila para chegar à plataforma. Embora a estação tenha diversas entradas e também o acesso pela parada de trens da CPTM, apenas uma escada rolante -fora de funcionamento- estava liberada para acesso ao embarque.

Lá dentro, muitos reclamavam de terem sido assaltados mesmo diante de guardas da estação. Um rapaz gritava de um lado da catraca tentando chamar a atenção de vigilantes do outro lado, mas não teve sucesso.

Embora o trajeto pela linha amarela da estação Luz até a estação República estivesse tranquilo, o mesmo cenário caótico se repetiu na saída da parada da linha vermelha.

Uma única saída estava disponível para quem tentava desembarcar na República, a mesma porta que servia de entrada para uma fila que acumulava centenas de usuários por volta das 4h. A reportagem também notou muitas pessoas dormindo na estação.
 

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