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Nobel da Paz diz que Videla traiu valores do país

Da Redação ·





SÃO PAULO, SP, 17 de maio (Folhapress) - A morte do ex-ditador argentino Jorge Rafael Videla causou a reação de ativistas e políticos argentinos, a maioria deles envolvidos no combate à última ditadura militar do país (1976-1983). Ele morreu na manhã de hoje na prisão de Marcos Paz, na região metropolitana de Buenos Aires.

O Prêmio Nobel da Paz e ativista de direitos humanos Adolfo Pérez Esquivel afirmou que o ex-ditador passou a vida inteira causando dano, mas que sua morte não é motivo para alegria. "A morte de Videla não deve ser motivo de alegria para ninguém. Foi um homem que traiu os valores de todo o país".

Mesmo com a morte de Videla, ele, que foi preso durante a ditadura, considerou que a Justiça deve continuar a investigar os crimes ocorridos durante o regime para "evitar que todo esse horror não volte a acontecer nunca mais".

Para a presidente das Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, Videla era um homem mau e desprezível. A entidade foi uma das criadas para buscar as crianças desaparecidas durante a ditadura. "Esse era um homem mau. Fico tranquila que um ser desprezível deixou este mundo".

Um das dirigentes da outra organização que busca os filhos dos desaparecidos, as Mães da Praça de Maio, Nora Cortiñas, pediu a abertura dos arquivos da ditadura que ainda não foram revelados. "Queremos que os genocidas não morram levando embora os segredos. Pelo menos [Videla] morreu em uma prisão comum".

Pouco após o anúncio da morte, o secretário de Direitos Humanos argentino, Martín Fresneda, disse que o Estado argentino não deve celebrar a morte de ninguém. "Foi um orgulho ter conseguido uma Argentina com justiça antes que Videla morresse".

O chefe de gabinete da presidente Cristina Kirchner, Juan Manuel Abal Medina, disse no microblog Twitter que o ex-ditador morreu "repudiado por todo o povo argentino". O líder da opositora União Cívica Radical (UCR) no Congresso, Ricardo Gil Laavedra, afirmou que Videla será lembrado por sua perversidade.

"Ele será lembrado como o ditador que semeou a morte na Argentina e produziu a ditadura mais sangrenta e terrível", disse o deputado, que fez parte da comissão judicial que terminou com a condenação dos membros da ditadura na década de 1980.

O ex-vice-presidente Julio Cobos considerou a importância de Raúl Alfonsín, primeiro presidente eleito após a ditadura e responsável pelo primeiro julgamento dos membros do regime. Já o chefe de gabinete da cidade de Buenos Aires, Horacio Rodríguez Larreta, afirmou que "morreu um criminoso".
 

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