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Moscou declara "persona non grata" suspeito de espionagem dos EUA

Da Redação ·

SÃO PAULO, SP, 14 de maio (Folhapress) - A Rússia declarou "persona non grata" o diplomata americano Ryan Fogle, preso hoje em Moscou acusado de tentar recrutar agentes russos para atuarem pela CIA (Agência Central de Inteligência, em inglês), órgão de espionagem internacional americano.

Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores qualificou a ação como provocativa. "Ações provocativas no espírito da Guerra Fria não promoverão de forma alguma o fortalecimento de confiança mútua", disse a Chancelaria, em comunicado.

A qualificação de "persona non grata" (pessoa não bem-vinda, em português) é o estágio mais alto de punição a um diplomata internacional que, devido à Convenção de Viena, não pode ser expulso. Em geral, o diplomata que foi taxado deve voltar a seu país de origem, sob risco de ser considerado um cidadão comum.

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Fogle é terceiro-secretário da embaixada americana em Moscou. Segundo o Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB, antiga KGB), foram encontrados com ele uma quantidade grande de dinheiro, que não foi especificada, instruções técnicas e material para mudar a aparência de uma pessoa.

Mais tarde, a Chancelaria russa chamou o embaixador dos EUA em Moscou, Michael McFaul, para mais esclarecimentos. Ainda não há detalhes sobre o que será comentado na reunião com o chanceler Sergei Lavrov.

A prisão do americano acontece em meio à tensão nas relações entre os dois países, em especial causada pelas acusações de Washington de que Moscou reprime as forças opositoras ao presidente Vladimir Putin e viola direitos humanos.

Em represália, a Rússia impediu a adoção de crianças americanas que, para Moscou, são mal tratadas pelos pais adotivos. Outro ponto de discordância é a posição em relação ao conflito na Síria, em que Washington apoia os rebeldes e Moscou o regime de Bashar al-Assad.

Espionagem

Em 2010, o FBI (Birô Federal de Investigações, em inglês) prendeu 11 acusados de espionagem para a Rússia em quatro Estados americanos e em Chipre, no mar Mediterrâneo.

Na ocasião, Washington disse que a inteligência russa infiltrou agentes disfarçados nos Estados Unidos para se aproximar de fontes políticas e reunir informações para o governo da Rússia.

Moscou negou as acusações e disse na época que Washington tinha se apoderado do "espírito da guerra fria" ao acusar os suspeitos de serem agentes secretos.

Uma delas, Anna Chapman, ficou mais conhecida por sua beleza. Ela foi expulsa dos Estados Unidos e perdeu sua cidadania no Reino Unido, mas foi condecorada na Rússia e chegou a posar nua para uma revista masculina.

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