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Violência mata 20 durante escolha de novos parlamentares

Da Redação ·

SÃO PAULO, SP, 11 de maio (Folhapress) - A violência que assola o Paquistão resultou hoje em pelo menos 20 mortos durante as eleições parlamentares que ocorreram no país. Pelo menos dez pessoas morreram e 30 ficaram feridas após a explosão de uma bomba colocada nas imediações de um escritório do secular Partido Nacional Awami, em Karachi, no sul do Paquistão. O alvo do ataque seria o cantidato regional Amanula Mehsud, que saiu ileso do atentado. Ainda em Karachi, uma bomba matou uma pessoa em um ônibus de apoiadores do partido. Na cidade de Peshawar, uma explosão na frente de um local de votação causou pelo menos uma morte. Houve ainda dois mortos na província sudoeste de Baluchistão, quando homens armados atiraram do lado de fora de um local de votação. Outra seis pessoas morreram em outro tiroteio, este entre partidários de dois candidatos na cidade. Durante todo o período eleitoral, mais de 130 pessoas foram mortas em atentados e tiroteios atribuídos ao Talebã e outros grupos radicais, que ameaçam manter o banho de sangue por ver na democracia um "sistema de infiéis". O governo implantou um número estimado de 600 mil agentes de segurança em todo o país para proteger os locais de votação e eleitores. Comparecimento Apesar da violência, o comparecimento às urnas foi considerável. O secretário da comissão eleitoral, Ahmed Khan, disse a jornalistas em Islamabad que esperava que o comparecimento às urnas seria "enorme". A Comissão Eleitoral do Paquistão decidiu prorrogar o período de votação por uma hora, para que mais pessoas possam votar. Um porta-voz da agência, Khursid Alam disse que, segundo seus cálculos, a participação foi de mais de 30% ao meio-dia. "Esperamos que o comparecimento ultrapasse os 50% no fim do dia", disse Alam. Os meios de comunicação informaram durante todo o dia que a votação ocorreu em um clima relativamente calmo na maior parte do país, apesar dos ataques registrados ao longo do dia. Transição Os paquistaneses elegem 342 novos parlamentares da Assembleia Nacional e o novo premiê. A votação de hoje marca a primeira vez na história do Paquistão --pontuada por golpes militares-- em que um governo civil termina o seu mandato para entregar o poder a outro também eleito. O próximo premiê herda um país devastado por infraestrutura precária, corrupção e extremismo sectário. Se as pesquisas estiverem certas, o favorito para assumir a tarefa é Nawaz Sharif, um conservador que já foi duas vezes premiê. Na mais recente, foi expulso do poder por um golpe militar, em 1999. Num país de líderes autoritários, Sharif quer protagonizar a primeira transição de dois governos democraticamente eleitos desde a fundação do Estado, há 66 anos.  

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