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Começa júri de acusado de mandar matar Dorothy

Da Redação ·
 Missionária foi morta por dois pistoleiros com seis tiros
fonte: Estadão
Missionária foi morta por dois pistoleiros com seis tiros

Mesmo com o não comparecimento do advogado de defesa, começou hoje de manhã em Belém (PA) o julgamento do fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, acusado de mandar matar a missionária norte-americana naturalizada brasileira Dorothy Stang, em 2005.
 

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Como ocorreu em 31 de março, data original do júri, o advogado de Bida, Eduardo Imbiriba, não compareceu. Desta vez, mandou o colega Arnaldo Lopes de Paula, que pediu mais tempo para se inteirar do processo, tentando assim adiar de novo o julgamento.
 

Mas, em vez de aceitar a prorrogação, o juiz Raimundo Moisés Flexa negou o pedido de Lopes de Paula e nomeou dois defensores públicos para o caso _como prevê a legislação. A Folha ligou para Imbiriba, mas ele disse que estava "em uma reunião" e que por isso não poderia falar.
 

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Este é o terceiro júri de Bida. Em 2007, ele foi condenado a 30 anos. Como a lei da época permitia um novo julgamento a quem fosse sentenciado a mais de 20 anos, ele passou por um novo júri, em maio de 2008, quando foi absolvido.
 

À época, a absolvição provocou revolta entre ambientalistas e defensores dos direitos humanos. Para eles, as declarações dos outros três condenados e presos pelo crime, que apontam Bida como o mandante, são provas suficientes de que o fazendeiro é culpado.
 

Após muita pressão, o júri de 2008 acabou anulado pelo Tribunal de Justiça do Pará no ano passado, acatando argumentação do Ministério Público Estadual.
 

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O outro acusado de ser o mandante, o empresário Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão, ainda não foi julgado. Espera-se que seu júri ocorra neste ano.
 

Seis tiros
 

A missionária Dorothy Stang foi morta por dois pistoleiros com seis tiros, numa estrada de terra de Anapu (PA), em fevereiro de 2005. Tinha 73 anos. Ela defendia os direitos de pequenos produtores rurais da região de Altamira (PA) e denunciava crimes ambientais e fundiários, como a grilagem de terra.
 

Seu assassinato gerou repercussão internacional e originou um documentário, "Mataram a Irmã Dorothy", do norte-americano Daniel Junge, que foi pré-selecionado ao Oscar do ano passado.