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Segurança-Ásia - (Atualizada)

Da Redação ·

Reino Unido e Rússia descartam fechar embaixadas em Pyongyang




Por Bernardo Mello Franco

LONDRES, REINO UNIDO E SÃO PAULO, SP, 5 de abril (Folhapress) - Os governos do Reino Unido e da Rússia descartaram fechar as embaixadas em Pyongyang, após a Coreia do Norte alertar hoje que vai retirar a proteção dos 24 países que tem corpo diplomático no país. O Itamaraty ainda não comentou sobre a situação da embaixada brasileira.

O pedido é mais uma demonstração do regime de Kim Jong-un de que se prepara para uma guerra, embora não se saiba quais são as intenções do país com as movimentações militares. As ameaças acontecem a 10 dias da comemoração do aniversário de Kim Il-Sung, fundador do país e avô do atual ditador.

Em entrevista hoje, o ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, voltou a criticar o regime de Pyongyang.

"Nas últimas semanas, o governo da Coreia do Norte gerou tensão na península coreana com uma série de declarações públicas e outras provocações. Nós condenamos esse comportamento e instamos Pyongyang a trabalhar de forma construtiva com a comunidade internacional, incluindo as embaixadas estrangeiras", disse.

Hague afirmou que o Reino Unido já está fazendo consultas a outros países sobre a tensão entre a ditadura comunista e o corpo diplomático em Pyongyang, mas não fará um movimento agora. "Não tomamos nenhuma decisão e não temos planos para uma retirada da nossa embaixada", disse o ministro.

Os russos foram os primeiros a negar a retirada. O porta-voz do corpo diplomático em Pyongyang, Denis Samsonov, descartou a retirada dos representantes do país e afirmou que não há sinais externos de tensão na capital norte-coreana.

Depois, o chanceler Sergei Lavrov, disse que está em diálogo com o regime de Kim Jong-un e está tentando esclarecer a situação. "Fizemos várias perguntas que neste caso eram necessárias fazer para nossos vizinhos norte-coreanos".

Recomendação

No comunicado, Pyongyang informou que só pode garantir a provisão de apoio logístico para a retirada de diplomatas do país até a próxima quarta-feira, cinco dias antes da festa nacional e a data que Seul especula que os norte-coreanos lançarão dois mísseis de longo alcance.

Fontes diplomáticas afirmam que o movimento pretende assegurar o cumprimento da Convenção de Viena, segundo a qual o país que hospeda embaixadas precisa zelar pela integridade delas e dos diplomatas. Consultado, o Itamaraty informou que ainda não está confirmado se a missão brasileira acatará a recomendação de Pyongyang e deixará a capital. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil registra a presença de apenas seis cidadãos brasileiros na Coreia do Norte.

Os brasileiros são o embaixador Roberto Colin, a mulher dele, o filho do casal e um funcionário administrativo da embaixada, além da mulher e da filha do embaixador da Palestina. Além de Rússia, China, Reino Unido e Brasil, funcionam representações de Cuba, Suécia, Polônia, República Tcheca, Romênia, Índia, Paquistão, Síria, Egito, Vietnã e Palestina, entre outras.
 

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