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Após morte de preso, cativos palestinos fazem greve de fome em cadeias

Da Redação ·





SÃO PAULO, SP, 3 de abril (Folhapress) - Cerca de 4.600 presos palestinos em Israel começaram hoje uma greve de fome em protesto contra a morte de um detento que tinha um câncer de garganta. Eles acusam o Estado judaico de não ter dado o devido atendimento médico ao detento.

Maysara Abu Hamdeya, 64, era general do Exército palestino e foi condenado a prisão perpétua acusado de envolvimento em um plano para um atentado contra um restaurante em Jerusalém, em 2002. Ele estava preso na penitenciária de Ramon, no sul de Israel, desde 2007.

Desde o ano passado, o advogado de defesa afirmava que seu cliente reclamava de um câncer na garganta e que, nos primeiros meses, recebia apenas analgésicos como tratamento. Na semana passada, seu estado de saúde piorou e ele foi transferido para o hospital de Soroka, onde morreu ontem.

A defesa e a Autoridade Nacional Palestina chegaram a pedir a internação do detento, que, segundo eles, foi negada por Israel. Por outro lado, o Estado judaico diz que chegou a fazer o pedido de soltura, mas que este chegou tarde demais.

A informação foi confirmada pelo presidente do Clube de Presos Palestinos, Qadura Fares, e pelo Serviço de Presos de Israel. Fares disse que a medida deve continuar a ser aplicada e se mostrou preocupado com a situação nas prisões, que diz ser muito tensa.

"Tínhamos apelado para a comunidade internacional porque se sabia o estado crítico de Maysara Abu Hamdiye [preso morto ontem], mas a ocupação israelense não queria que ele passasse seus últimos dias com sua família", declarou Fares.

A porta-voz do serviço penitenciário israelense, Sivan Weizmann, confirmou os presos não se alimentaram pela manhã. As autoridades israelenses não definem esta situação como greve de fome, termo que empregam após a rejeição de seis refeições em um prazo de 48 horas.

Reações

A morte de Maysara Abu Hamdeya provocou forte reação do governo da Cisjordânia. O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, declarou ontem que a morte do detento é uma demonstração da "intransigência e arrogância" de Israel.

O responsável pelo serviço de prisões israelenses no sul do país, Gondar Nasim Sabiti, disse que estava sendo analisada uma libertação adiantada para Abu Hamdiye, o que seria discutida nesta semana. Israel realizará hoje a autópsia do corpo do prisioneiro em Tel Aviv, na presença de um observador palestino.

O corpo será depois entregue à Autoridade Nacional Palestina, que organizará o enterro, que deverá ser realizado amanhã em Hebron, no sul do território ocupado da Cisjordânia. A cidade é palco de protestos violentos desde ontem, que terminam em confronto com militares israelenses.

Para evitar novos protestos, o Exército israelense anunciou que vai aumentar o efetivo em Jerusalém e na Cisjordânia para evitar novas manifestações.
 

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