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Irã e Coreia do Norte bloqueiam aprovação de tratado de armas

Da Redação ·

SÃO PAULO, SP, 28 de março (Folhapress) - O Irã e a Coreia do Norte bloquearam hoje a criação do Tratado sobre o Comércio de Armas da ONU (Organização das Nações Unidas) por considerar que possui cláusulas com vazios legais que abrem precedente para armar grupos rebeldes. A organização pretendia votar o acordo na próxima terça na Assembleia-Geral. O texto é discutido há anos e recebeu diversas vezes o embargo de países exportadores, como os Estados Unidos e a Rússia, e dos países receptores. O documento deve ser aprovado por todos os países para entrar em vigor. O vazio legal para o fornecimento a insurgentes foi o mesmo para as objeções dos representantes da Síria, que enfrenta há dois anos uma guerra civil contra rebeldes. Devido ao impasse, o presidente da Conferência, Peter Woolcott, suspendeu a sessão para uma nova rodada de consultas com os países. O representante do Irã na ONU, Mohammad Khazaee, considerou que o texto tinha diversos vazios jurídicos e disse que esperava um texto " robusto, equilibrado e não discriminatório" para "reduzir o sofrimento causado pelo comércio ilícito" de armas. "O texto ignora a reivindicação legítima de um grande número de países de proibir a transferência de armas aos que cometam agressões. Como reduzir o sofrimento humano quando se fez vista grossa perante agressões que causam dano a milhares de inocentes?", questionou. Além disso, se perguntou por que o atual texto protege o direito a ter armas dos indivíduos para cumprir a legislação "de um único país" (em referência aos Estados Unidos) "e não o direito inalienável à livre autodeterminação de povos sob ocupação estrangeira". A falta de equilíbrio e o precedente aberto a armar rebeldes também foram pontos que tiveram a objeção da Coreia do Norte. O embaixador da Síria na ONU, Bashar Jaafari, disse que seu país é "o melhor exemplo do sofrimento que causa o sangrento comércio de armas que apoia terroristas". O Tratado de Armas é discutido há mais de dez anos pela ONU. No último embargo, em julho do ano passado, Estados Unidos, Rússia e China impediram sua adoção por determinar restrições aos países exportadores. Os três países participaram do último texto, vetado nesta quinta. A intenção do documento é evitar a transferência internacional de armas convencionais e cria acordos para garantir que os equipamentos não serão usadas em abusos de direitos humanos, terrorismo e outras quebras das leis humanitárias.  

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