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Berlusconi exige aliança ou novas eleições para formação do novo governo

Da Redação ·

SÃO PAULO, SP, 25 de março (Folhapress) - O ex-premiê italiano Silvio Berlusconi repetiu hoje que o líder da centro-esquerda, Pier Luigi Bersani, deve fazer uma coalizão com seu grupo de centro-direita, ou a Itália deve realizar novas eleições, após o pleito inconclusivo do mês passado. O líder do Partido Democrata (PD), Bersani, cuja aliança ganhou a maioria na Câmara dos Deputados, mas não no Senado, está em conversações com partidos esta semana para avaliar se consegue formar um governo. Até agora, ele rejeitou a ideia de fazer uma coalizão com o grupo de centro-direita liderado pelo Povo da Liberdade, de Berlusconi. "Ou o Partido Democrata... faz a coisa razoável e se abre para um governo com o Povo da Liberdade... ou a única coisa a ser feita é voltar para as urnas o quanto antes", disse Berlusconi em uma entrevista em seu próprio canal de TV, Canale 5. Apoio Bersani se reuniu hoje com líderes dos principais sindicatos do país, em mais um passo para avaliar se conta com o apoio necessário para formar um novo governo. Os sindicatos expressaram a ele sua preocupados com o impasse no país, e se mostraram contrários à ideia de que tenham que ser convocadas novas eleições. O secretário da União Italiana do Trabalho, Luigi Angeletti, explicou que disse a Bersani que a situação econômica deve ser "a prioridade absoluta" e que é necessário "um plano de redução de impostos sobre o trabalho". Já o líder da Confederação Italiana dos Sindicatos do Trabalho, Raffaele Bonanni, clamou pela responsabilidade das forças políticas ante "a necessidade de formar um governo a todo custo" para evitar um novo pleito. Susanna Camusso, secretária-geral do sindicado de maior representação no país, a Confederação Geral Italiana do Trabalho, pediu a Bersani que inclua em seu programa de governo a eliminação do imposto sobre a primeira casa àqueles que têm que pagar menos de mil euros. Bersani continuará hoje as consultas, recebendo associações de empresários, grupos de ecologistas e até o sacerdote Luigi Ciotti, conhecido por seu trabalho contra a máfia. Ainda hoje, Bersani convocou a executiva do Partido Democrata (PD) para lhes comunicas os resultados das reuniões e estudar propostas para os outros partidos. O secretário do PD explicou que sua proposta de governo "está aberta a todos os partidos", mas analistas afirmam que a formação de um novo governo está cada vez mais difícil. O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, encarregou Bersani de formar um novo governo na última sexta-feira. A coalizão de centro-esquerda tem 119 senadores e precisaria conseguir cerca de 160 votos para alcançar a a maioria na casa, o que parece quase impossível. O Movimento Cinco Estrelas, do ex-comediante Beppe Grillo, com deus 53 senadores, já manifestou que não está disposto a fazer um acordo com Bersani ou qualquer outro governo. Os 21 votos do grupo de Mario Monti não são suficientes, e não se tem certeza de que votariam na coalizão de Bersani. A aliança com a centro-direita de Berlusconi seria a única solução.  

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