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Críticas à crise do país marcam premiação espanhola

Da Redação ·

SÃO PAULO, SP, 18 de fevereiro (Folhapress) - Um filme mudo, "Blancanieves", foi o principal vencedor, ontem à noite, do Goya, premiação do cinema espanhol, com dez estatuetas, numa cerimônia em que o principal assunto foi a crise econômica da Espanha. Releitura do conto de fadas "Branca de Neve", o longa ganhador, com roteiro e direção do cineasta basco Pablo Berger, foi o terceiro maior premiado da história do Goya, sendo superado apenas por "Mar Adentro" (14 prêmios) e " Ay, Carmela!" (13). "Blancanieves" também levou as estatuetas de roteiro (para Berger) e atriz, o segundo Goya de Maribel Verdú, por sua interpretação da madrasta de Branca de Neve. Verdú aproveitou seu discurso para falar sobre a crise econômica, dedicando seu prêmio às pessoas que "perderam suas casas, suas ilusões e inclusive sua vida em um sistema quebrado, injusto e obsoleto". Ela falou depois de Candela Peña, que ganhou o prêmio de melhor atriz coadjuvante por "Una Pistola en Cada Mano", e também havia protestado durante seu discurso de agradecimento. "Peço-lhes trabalho. Tenho um filho para alimentar", disse Peña, que estava sem fazer filmes havia três anos. "Vi meu pai morrer em um hospital público onde não havia cobertores e tínhamos que levar água para ele." Javier Bardem subiu ao palco como produtor do documentário "Hijos de las Nubes", sobre o Saara, e fez um apelo para que os espanhóis não permitam que problemas que afligem a região desértica se repitam no país. "No Saara não se pode cortar gastos em saúde porque não há hospitais, nem fechar escolas porque não há colégios. Não podemos deixar que nos aconteça isso aqui", afirmou Bardem.  

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