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Filme chileno é o primeiro favorito ao Urso de Ouro em Berlim

Da Redação ·





Por Rodrigo Salem, Enviado especial

BERLIM, ALEMANHA, 10 de fevereiro (Folhapress) - O cinema chileno vive um momento especial. Além da indicação ao Oscar 2013 de melhor filme estrangeiro para "No", de Pablo Larraín, o país é o primeiro favorito ao Urso de Ouro do Festival de Cinema de Berlim com a exibição de hoje do longa "Gloria", de Sebastián Lelio.

A produção foi a primeira da competição a arrancar aplausos entusiasmados da plateia de jornalistas e a protagonista, Paulina Garcia, foi aplaudida de pé em sua entrevista coletiva, minutos após a sessão.

O drama com certas pitadas de humor negro --produzido por Larraín, o que garante um certo clima familiar à trama-- acompanha uma mulher de 58 anos em sua vida diária. A diferença é que não é um retrato comum de uma senhora vivendo com gatos enclausurada em seu apartamento.

Gloria (a personagem, vivida com uma intensidade impressionante por Paulina, que já parte na frente pelo Urso de Prata) é uma mulher ativa, em busca de sexo, mas sem entrar na paranóia que surge se ele não acontecer. Quando o gato do vizinho a visita, ela o enxota. Se emociona com fotos antigas, mas não é presa aos filhos. Gosta de música, é independente.

"A humanidade está enfrentando uma nova situação social: a vida está cada vez mais prolongada. Ter 60 anos não é a mesma coisa hoje do que era há antes, sinônimo de uma idosa em casa", diz o diretor Sebastián Lelio, que também traça um paralelo com uma geração perdida nos anos de chumbo de Pinochet no Chile.

"É um novo capítulo que se abre para essas pessoas e o longa explora esse novo sonho de vida. Mas não é apenas no Chile, e sim no mundo todo. Estamos dizendo para os mais jovens que há um longo caminho adiante", afirma Lelio.

Durante a projeção de "Gloria", a música brasileira aparece duas vezes. Em um sarau visitado pela protagonista, uma garota canta "Águas de Março" e, momentos depois, Gloria dança em um clube ao som de "Lança Perfume", de Rita Lee.

"Desde o começo eu sabia que esse filme precisaria ter algo de Bossa Nova, um certo balanço e equilíbio entre a dor e a ternura", explica o cineasta. "Espero que tenha conseguido isso."
 

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