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Coreia do Sul e Rock in Rio abrem a noite dos desfiles na Sapucaí

Da Redação ·

RIO DE JANEIRO, RJ, 9 de fevereiro (Folhapress) - "Rufam os tambores na avenida/Coreia do Sul se faz Carnaval". Com uma homenagem ao país asiático, cuja relação com o Carnaval carioca é desconhecida, começam amanhã à noite no sambódromo do Rio os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial, a elite do samba da cidade. O enredo da Inocentes de Belford Roxo não é o único a causar estranheza. Em um ano de cintos apertados por causa da crise econômica e de torneiras fechadas do jogo do bicho, que tem sua cúpula sufocada por investigações policiais e ordens de prisão, as escolas correram em busca do dinheiro da iniciativa privada. Daí surgem enredos como o do Salgueiro, que tem o patrocínio da revista "Caras" para contar como a humanidade persegue a fama; ou o da Beija-Flor, com a história dos cavalos manga-larga marchador. Para falar da agricultura e da vida no campo, a Vila Isabel recebeu recursos da multinacional de defensivos agrícolas Basf. Atual campeã, a Unidos da Tijuca contou com o apoio de empresas alemãs, interessadas em promover o ano do país no Brasil. As quatro formam a elite do Carnaval do Rio. Possuem as melhores estruturas e os maiores orçamentos, entre R$ 8 milhões e R$ 10 milhões, para montar seus desfiles. Fora da elite, a Mocidade tem apoio do Rock in Rio e apostou em materiais reciclados e inovadores. Um carro terá 15 mil CDs usados. Há ainda quem tenha apostado em um tema "patrocinável" em vão. Contando com o apoio de empresas do setor, a Grande Rio levará para a avenida a história da indústria do petróleo e a disputa em torno dos royalties, tomando partido do Estado do Rio. Não recebeu recursos da iniciativa privada ou do governo estadual - nem mesmo cantando, em seu samba, que "se faltar [os royalties] vai virar o caos". A Inocentes, escola que estreia no Grupo Especial contando as glórias da Coreia, também ficou na mão. A promessa de um grupo de comerciantes coreanos de que a agremiação receberia recurso se aceitasse contar a história do país, não foi cumprida. Desfilam ainda na elite do Carnaval carioca a Portela, com um enredo clássico e tradicional sobre o bairro de Madureira, onde nasceu; a Mangueira, falando sobre a cidade de Cuiabá; a União da Ilha, homenageando Vinicius de Moraes, e ainda a São Clemente, discorrendo sobre as novelas televisivas.  

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