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Moradores pedem restrições a blocos de Carnaval na Vila Madalena

Da Redação ·





Por Regiane Teixeira

SÃO PAULO, SP, 7 de fevereiro (Folhapress) - Na noite de ontem, um grupo de cerca de 50 moradores da Vila Madalena, zona oeste, se reuniu na Subprefeitura de Pinheiros para reclamar dos blocos de Carnaval.

No último final de semana, ao menos cinco grupos tomaram as ruas do bairro, entre eles os cariocas Bangalafumenga e Sargento Pimenta.

As principais queixas são o barulho, a impossibilidade de sair e entrar nos prédios e a sujeira deixada nas ruas pela multidão.

"A gente entende que o evento é importante para o bairro mas, além dos problemas e custos com lixo e depredação, não tinha segurança. De repente, milhares de pessoas invadem a sua rua e a gente não tem como sair", reclama o administrador Leonardo Pavam, 26, que também é síndico de um prédio na rua Fidalga. "O que pedimos é para sermos avisados dos eventos com antecedência, que os blocos não fiquem parados em um único lugar e saber quem são os responsáveis por cada grupo."

A professora Letícia Lyle, 31, moradora da rua Fidalga, conta que ficou 40 minutos parada dentro do carro com os dois filhos na rua sem conseguir entrar no seu prédio por conta do grande número de pessoas.

"Um grupo de mulheres me ajudou a mobilizar as pessoas para eu conseguir parar o carro numa garagem, mas foi mais pânico ainda porque estava com um bebê de colo", relata. "O problema não é a festa, é que não tinha policiamento ou alguém da CET." Alguns moradores disseram ainda ter presenciado brigas e até sexo explícito na rua.

Carnaval 2014

Apesar dos ânimos exaltados, o subprefeito de Pinheiros, Angelo Filardo, afirmou que não é possível impedir a manifestação cultural e que é preciso que moradores e blocos criem um diálogo.

Nos próximos dias, quando ao menos mais cinco desfiles passam pelas ruas da região, o policiamento deve ser reforçado na praça Benedito Calixto e na rua Belmiro Braga.

"A partir da quarta-feira de cinzas a posição é de passar a organizar o Carnaval 2014", afirmou o subprefeito. Moradores sugeriram que os desfiles sejam realizados em vias mais largas como as avenidas Henrique Schaumann e Sumaré.

Para o sociólogo Guilherme Nafalfki, 30, antigo morador do bairro e folião, falta conversa com os blocos. "Se os nossos desejos são legítimos, o de uso de espaço público também", diz. "Eles [blocos] não podem impedir as pessoas de morar bem, mas a gente também não pode impedir manifestações populares legítimas e necessárias para a cidade."

Renato Dias, 41, morador da Vila Madalena e integrante do Manifesto Carnavalista (a favor do Carnaval de rua em São Paulo), diz que todas as reclamações devem ser analisadas. "Tudo tem que ser conversado. Cada bloco e cada cordão tem o seu perfil", afirma. "Existem dois tipos de Carnaval na vila, um que é mais familiar e outro com propósitos um pouco diferentes."

No dia 24 de janeiro, o secretário municipal de Cultura, Juca Ferreira, se reuniu com representantes de blocos e cordões carnavalescos para discutir questões relacionadas à segurança e apoio logístico aos coletivos. A ideia é dar mais suporte ao Carnaval de rua paulistano nos próximos anos.
 

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