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Partido governista discorda de dissolução do Parlamento

Da Redação ·





SÃO PAULO, SP, 7 de fevereiro (Folhapress) - O partido governista Ennahda, da Tunisia, discordou hoje da dissolução do Parlamento e da instalação de um gabinete técnico para tentar restaurar a calma no país após a morte de um líder da oposição.

O fim do atual governo foi anunciado na noite de ontem pelo primeiro-ministro, Hamdi Jebali, que é do partido, após a violência nos protestos contra a morte do opositor Chukri Bel Aid, que foi assassinado pela manhã. A agremiação diz que não foi consultada pelo chefe de governo sobre o tema.

"Nós do Ennahda acreditamos que a Tunísia precisa de um governo político agora. Vamos continuar as discussões com outros partidos sobre a formação de um governo de coalizão."

Em discurso à nação, pronunciado poucas horas depois do assassinato de Bel Aid, Jabali assegurou que o objetivo do novo Executivo será sair "desta situação excepcional o mais rápido possível".

Após expressar suas condolências pela morte do opositor e afirmar que tinha "aprendido a lição", Jabali anunciou a formação de "um governo nacional de capacidades que não pertença a nenhum partido".

Jabali, que não ofereceu datas nem deu nomes sobre o novo Executivo de tecnocratas, indicou que todos os ministérios serão mudados e antecipou que a nova equipe poderá ser "reduzida". Além disso, adiantou que o chefe do governo e os ministros não se candidatarão às eleições.

Protestos

A morte de Bel Aid provocou uma série de protestos na capital, Túnis, e em outras cidades do país. Pelo menos mil pessoas participaram de um ato no bairro de Sidi Bouzid, onde começaram os protestos pela queda do ditador Zine El Abidine Ben Ali, em 2011.

Testemunhas dizem que a polícia disparou tiros para o alto e gás lacrimogêneo para dispersar as pessoas. Ainda na capital, as forças de segurança tiveram que dispersar manifestantes que estavam em frente à sede do Ministério do Interior.

Bel Aid foi atingido por dois tiros, na cabeça e no peito, disparados a curta distância, ao sair de casa para ir ao trabalho. Os autores teriam fugido em uma moto.

O partido de opositor é o segundo agrupamento da coligação de esquerda "Frente Popular pelos objetivos da Revolução", dirigida por Hama Hamami, líder do Partido dos Operários Comunistas de Tunísia (POCT).

Após a aliança opositora liderada por Nidá Tunis, do ex-primeiro-ministro Beji Caid Essebsi, a Frente Popular é considerada como a segunda força da oposição.
 

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