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Governo-Egito - (Atualizada)

Da Redação ·

Violência policial aumenta crise




SÃO PAULO, SP, 4 de fevereiro (Folhapress) - Acuado por protestos contra seu governo que já duram duas semanas, o presidente egípcio Mohamed Mursi se viu hoje obrigado a pedir à polícia que respeite os direitos humanos e aja dentro da lei, além de suportar uma baixa em seu gabinete.

Em discordância com a ação repressiva da polícia, o ministro da Cultura, Mohamed Saber Arab, renunciou hoje ao cargo.

A brutalidade policial contra manifestantes na praça Tahrir -registrada em vídeo divulgado na sexta pela agência Associated Press- acentuou a crise deflagrada pelos protestos que marcaram o segundo aniversário da revolução que pôs fim aos 30 anos da ditadura Hosni Mubarak.

A oposição denunciou hoje que um manifestante foi torturado até a morte pela polícia. Organizações de direitos humanos investigam alegações semelhantes.

Mortes

Mais de 60 manifestantes já foram mortos morreram desde o início dos protestos, que se misturaram a uma onda de indignação pela sentença judicial que condenou à morte torcedores acusados de matar rivais numa partida de futebol em Port Said, em 2012, levando à decretação do estado de emergência em três cidades do país.

A Frente Nacional de Libertação (FNS) afirmou no sábado que iria "se alinhar aos pedidos do povo egípcio pedindo a queda do regime de tirania e dominação".

Hoje, porém, porta-voz da FNS afirmou que o grupo não atua para a saída de Mursi do poder, sete meses após a eleição democrática, mas que espera que o presidente respeite as "regras do jogo".

A violência da repressão era também marca do regime de Mubarak. Após a divulgação do vídeo que mostra um homem sendo despido e espancado pela polícia na praça Tahrir, o Ministério do Interior prometeu investigar o episódio. O gabinete de Mursi afirmou que as imagens são "chocantes".

Segundo a sigla Corrente Popular Egípcia, o ativista Mohammed al Guindi foi eletrocutado pela polícia e morreu em um hospital cairota. Ele estava desaparecido desde os protestos do último dia 27 na praça Tahrir.

Porta-voz do partido diz que ele tinha costelas quebradas e uma marca que sugeria que uma corda havia sido amarrada em seu pescoço.

Um funeral compartilhado foi organizado para Al Guindi e Amr Saad, um manifestante morto na sexta-feira após embates com a polícia.

Fotografias de Al Guindi circularam na internet, apresentando o ativista como um novo Khalid Said --egípcio morto pela polícia em 2010 e transformado em um dos símbolos da revolução.

Segundo a ONG Iniciativa Egípcia pelos Direitos da Pessoa, em informe da semana passada, estão sendo investigadas dezenas de denúncias de tortura no Egito. "Não houve mudança, nem sequer uma melhora cosmética em matéria de estrutura administrativa", diz a organização.
 

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